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Presidente nacional do PT foi confrontada por mulher dentro de avião no Aeroporto Internacional de Brasília, sendo chamada de "ladra" e "corrupta"

Senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) passou por constrangimento dentro de avião
Lula Marques/Agência PT
Senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) passou por constrangimento dentro de avião

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) passou por uma verdadeira saia-justa na terça-feira (19). A ex-ministra, que também é presidente nacional do PT , foi hostilizada por uma passageira dentro de um avião no Aeroporto Nacional de Brasília. Segundo a senadora, ela foi "agredida verbalmente" pela mulher antes de desembarcar da aeronave.

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A altercação, que foi gravada em vídeo pela própria passageira, mostra Gleisi Hoffmann  sentada em uma das poltronas da frente, quando é confrontada pela mulher inconformada, que filma com o celular. "E aí senadora Gleisi Hoffmann? A senhora já devolveu o dinheiro dos aposentados e pensionistas do Brasil?", diz a passageira. "A senhora será jogada na lata do lixo. Nós, paranaenses, vamos fazer esse favor para o povo brasileiro", completa a mulher, visivelmente nervosa.

Um assessor da petista, então, se colocou entre as duas para evitar agressões. Nesse momento, Gleisi se virou para a mulher sorrindo e afirma que ela seria "eleitora de Aécio". Irritada, a mulher ignorou o comentário da senadora e seguiu com as ofensas. Entre os xingamentos, a presidente do PT foi chamada de "covarde", "ladra" e "corrupta".

Assista ao vídeo



Após o episódio, Gleisi foi às redes sociais e comentou o ocorrido. "Fui agredida aos berros dentro de um avião por uma mulher descontrolada", escreveu a senadora, que ainda apontou que solicitou a presença da Polícia Federal e registrou ocorrência contra a passageira. "Liberdade de expressão e manifestação não são sinônimos de agressão", conclui a ex-ministra.


Denúncia na Lava Jato

Gleisi e seu marido, o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, se tornaram réus na Operação Lava Jato  em fevereiro deste ano. Eles são acusados de terem articulado o recebimento de doação ilegal de R$ 1 milhão para a campanha da petista ao Senado em 2010 e respondem pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O empresário Ernesto Rodrigues também se tornou réu junto ao casal.

Em novembro, a Procuradora-Geral da República, Rachel Dodge, pediu a condenação do casal pelos dois crimes  e ainda o pagamento de R$ 4 milhões a título de reparação de danos morais e materiais, e a decretação da perda da "função pública" dos condenados. Na prática, isso implicaria na perda do mandato como senadora.

No dia 11 de dezembro, foi a vez da Petrobras encaminhar um pedido para que os acusados devolvessem R$ 1 milhão aos cofres da estatal. 

O que diz a acusação

Dodge narra, nas alegações finais enviadas ao relator do inquérito no STF, ministro Edson Fachin, que Paulo Bernardo, enquanto ministro do Planejamento, teria solicitado a propina a Paulo Roberto Costa no início de 2010. O dinheiro, então, foi recebido pelo empresário Ernesto Rodrigues, em Curitiba, e a operacionalização do pagamento teria sido feita por intermédio do doleiro Alberto Youssef mediante a lavagem de dinheiro em empresas de fachada.

"A senadora, expoente de seu partido político, locupletou-se dolosamente de todo um 
esquema de ilegalidades praticados na Petrobras e, também por isso, deixou de cumprir com seu dever de fiscalização", escreveu Raquel Dodge no documento.

A PGR defendeu ainda que as penas para Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo sejam agravadas devido a longa experiência de ambos como políticos. “Mais que corrupção de um mero agente público, houve corrupção em série, de titulares de cargos dos mais relevantes da República, cuja responsabilidade faz agravar sua culpa na mesma proporção”.

O que diz a defesa

A defesa de Gleisi alegou durante o processo que a acusação da PGR é "vaga e imprecisa, que não explicitou, nem em tese, a sua pretensa conduta ilícita". Os advogados da presidente nacional do PT também tentou impedir o avanço do inquérito afirmando que os depoimentos que embasam as denúncias (dos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef) não confirmavam que houve pedidos de repasses para sua campanha ao Senado.

Pelo Twitter, o antecessor de Gleisi Hoffmann na presidência do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, saiu em defesa de sua correligionária. "Solidariedade à companheira Gleisi, perseguida pela PGR e acusada sem provas. Não vamos nos calar!", escreveu.

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