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Segundo o doleiro, a prisão o fez chegar a "conclusão de que coisas que eram feitas já não podem mais ser feitas; que é preciso atuar de uma nova maneira"

Preso desde julho do ano passado, doleiro Lúcio Funaro ganhou nesta terça-feira o direito de deixar a Papuda
Reprodução/PGR
Preso desde julho do ano passado, doleiro Lúcio Funaro ganhou nesta terça-feira o direito de deixar a Papuda

Após ter dois mandados de prisão preventiva revertidos em prisão domiciliar , o operador financeiro Lúcio Funaro disse que está arrependido de ter se envolvido com atividades ilícitas. A declaração foi feita depois da audiência com o juiz Vallisney de Souza, da 10ª Vara Federal em Brasília, nesta terça-feira (19).

“Qualquer pessoa que vá presa fica arrependida. A gente chega à conclusão de que coisas que eram feitas já não podem mais ser feitas; que é preciso atuar de uma nova maneira, totalmente limpa, clara, sem ilicitudes. Quem vivia em um ambiente como aquele em que eu vivia, já não pode mais”, disse Lúcio Funaro a jornalistas.

Preso na Papuda desde junho de 2016, Funaro fechou, em agosto do mesmo ano, acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, no âmbito da Operação Lava Jato. “Meu desejo é poder voltar a conviver com a minha filha, com quem ainda não tive tempo de conviver”, afirmou o doleiro.

A defesa de Funaro convenceu o juiz Vallisney de Souza de que o operador financeiro reúne condições de deixar a penitenciária e aguardar pela sentença judicial em prisão domiciliar.

Responsável por converter os mandados de prisão preventiva contra o doleiro, o juiz Vallisney de Souza Oliveira determinou que Funaro fosse monitorado com o uso de tornozeleira eletrônica. Uma vez que o equipamento está em falta, o próprio lobista sugeriu que fossem instaladas câmeras em seu imóvel para que o juízo de Brasília possa acompanhar sua movimentação.

O juiz Vallisney cobrou então que Funaro providencie o envio do mapa de cobertura das câmeras que serão instaladas em seu sítio até o dia 2 de janeiro. O lobista precisará também remeter à Justiça, mensalmente, o registro de todos os equipamentos de monitoração.

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A transferência de Funaro para longe da Papuda, onde ele esteve preso desde julho do ano passado, será efetivada pela Polícia Federal. A corporação não antecipa datas de deslocamentos de presos. Funaro também manifestou o desejo de cursar Direito.

Alegando ter refletido sobre suas práticas, o operador financeiro disse não que está se beneficiando de recursos ilícitos para custear a implementação das medidas acordadas com o juiz. “Antes de entrar nisso, eu já tinha lastro patrimonial. Meu patrimônio não veio só disso aí”, declarou Funaro, referindo-se ao envolvimento com políticos e empresários investigados por corrupção.

“Meu avô veio da Itália para fazer tijolos no Brasil, criou uma indústria de cerâmica, foi fazendeiro. Eu trabalhei. Por isso tenho jato, fazenda. Mas vou ter que me desfazer de tudo, pois tenho uma multa para pagar à PGR [Procuradoria-Geral da República], valores a pagar ao Imposto de Renda. E não estou me importando com isso, pois são coisas que tinham uso quando eu tinha outras atividades.”

Segundo o juiz Vallisney de Souza, esta é a primeira vez que, por causa da falta de tornozeleiras eletrônicas, a 10ª Vara autoriza um acusado a cumprir pena em casa mediante a instalação de um sistema de monitoramento à distância.

“Ainda que o sistema seja instalado pelo acusado, a fiscalização é do juízo”, disse o magistrado, lembrando que outros acusados que tinham direito à prisão domiciliar já foram soltos antes sem condições de ser fiscalizados por falta de tornozeleiras eletrônicas. “O que é melhor? O preso sair e ficar sem ser fiscalizado, ou ficar com uma fiscalização como esta [aplicada a Funaro]?”.

Quem é Funaro

Autor de uma série de acusações que embasaram a denúncia oferecida ao Supremo Tribunal Federal ( STF ) contra o presidente Michel Temer e outros peemedebistas, Funaro ganhou o direito à prisão domiciliar por conta dos benefícios previstos em seu acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

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Na Justiça Federal em Brasília, ele responde a ação penal da Operação Sépsis que apura desvios de fundos de investimentos controlados pela Caixa Econômica Federal. Ele também foi o pivô de processo contra o ex-ministro Geddel Vieira Lima, que é acusado de ter pressionado a esposa do doleiro para tentar evitar que Funaro assinasse acordo de delação.

O sítio para onde Lúcio Funaro se mudará conta com um heliponto, grande área verde e até mesmo uma quadra de tênis. Mas o antigo operador financeiro de Eduardo Cunha (PMDB) precisará torcer para seus advogados terem alguma prática no esporte: isso porque o doleiro está proibido de receber visitas de amigos no local.

* Com informações da Agência Brasil

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