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Para os procuradores, documentos foram forjados para simular a locação do imóvel; defesa rebate e afirma que os recibos provam a quitação dos aluguéis

Operação Lava Jato: defesa do ex-presidente nega que Lula tenha praticado os crimes imputados a ele
Ricardo Stuckert/ Instituto Lula - 28.03.16
Operação Lava Jato: defesa do ex-presidente nega que Lula tenha praticado os crimes imputados a ele

O Ministério Público Federal (MPF) abriu mão da realização de uma perícia técnica nos 31 recibos de aluguéis  do apartamento que pertence ao empresário  Glaucos da Costamarques e foi locado pela ex-primeira-dama Marisa Letícia, em São Bernardo do Campo (SP). Apesar da desistência, os procurados argumentaram que os novos depoimentos colhidos confirmam que os documentos apresentados pela defesa de Lula são ideologicamente falso s e foram forjados para simular a locação do imóvel.

De acordo com o MPF, Costamarques reafirmou em novo interrogatório que não recebeu nenhum pagamento da família de Lula referente ao aluguel do apartamento até novembro de 2015. E só passou a receber valores sobre a locação a partir de dezembro de 2015, período em que a Operação Lava Jato já estava atuando.

No entanto, a defesa argumenta que versão dada pelo empresário é incompatível com os esclarecimentos que ele prestou em 2016 à Receita Federal e à Polícia Federal. “Nas suas contas circularam valores em espécie compatíveis com o recebimento dos aluguéis, não tendo ele ou o MPF feito qualquer prova de que tais valores não têm essa origem”, afirma a defesa do petista.

Segundo os advogados, a perícia encomendada pela defesa reforça que quem emitiu os recibos e concedeu quitação à Marisa Letícia pelos aluguéis de 2011 a 2015 foi Costamarques.

Entenda a denúncia

O ex-presidente é acusado de ter cometido crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro nos episódios referentes ao terreno na Vila Clementino e a um apartamento no ABC Paulista.

As investigações indicam que o petista teria aceitado receber da Odebrecht, entre 2010 e 2014, um terreno na zona sul de São Paulo no valor de R$ 12,4 milhões para instalação da sede do instituto do ex-presidente. A empreiteira também teria negociado a compra de um apartamento em frente ao que o ex-presidente mora em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

O imóvel é avaliado em R$ 504 mil. Segundo o Ministério Público Federal, os imóveis foram oferecidos pela construtora ao ex-presidente petista como uma espécie de agradecimento pela manutenção de Renato Duque e de Paulo Roberto Costa em diretorias de interesse da empreiteira na Petrobras.

Leia também: Delatores da Odebrecht são interrogados hoje em ação sobre desvios na Caixa

A defesa do ex-presidente nega que Lula tenha praticado os crimes imputados a ele e alega, em nota, que "as delações dos executivos da Odebrecht mostraram que o ex-presidente não recebeu tais imóveis, o que deveria justificar a extinção da ação por meio de sua absolvição sumária".

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