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Juiz autorizou a realização da prova pelo ex-governador e sua mulher, Adriana Ancelmo; milhares de presidiários do País prestam o exame. Sérgio Cabral já é formado em Jornalismo e Adriana Ancelmo, em Direito

Para diminuir pena, Cabral decide  voltar à faculdade e presta o Enem
Reprodução/TV Globo
Para diminuir pena, Cabral decide voltar à faculdade e presta o Enem

O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e sua mulher Adriana Ancelmo prestam a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para presidiários nesta terça (12) e quarta-feira (13).  A realização do exame foi autorizada na quinta-feira (7) pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, já que Cabral tinha audiências marcadas para hoje. 

Sérgio Cabral já é formando em Jornalismo, enquanto Adriana tem o diploma em Direito. Ele pretende fazer o curso de História, enquanto ela tentará Letras ou Ciências Sociais. Os dois prestaram o exame hoje da prisão de Benfica, zona Norte do Rio. 

“Adoro história, sempre gostei. Sou formado em jornalismo.... Quero me aprofundar nessa área”, afirmou Cabral. Para isso, o ex-governador decidiu fazer o Enem, que dá a possibilidade de cursar em uma universidade pública.

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Os dois ainda foram aprovados no curso de Teologia da Faculdade Batista do Paraná (Fabapar). Caso decidam fazer este curso a distância, terão até o próximo dia 19 para se matricular. A mensalidade é de R$ 444. 

Vale lembrar que a ideia de entrar em uma universidade tem um estímulo que pode ajudar Cabral a sair mais cedo da cadeia. Isso porque a cada três dias em sala de aula, um é abatido da sentença.

Enem para presos

As  provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) serão aplicadas para cerca de 32 mil pessoas privadas de liberdade, nesta terça (12) e quarta-feira (13), em mais de mil unidades prisionais de 577 municípios brasileiros. Também está marcada para hoje a aplicação das provas para os participantes regulares que tiveram direito a uma segunda aplicação do exame. 

O Enem  para Pessoas Privadas de Liberdade é destinado a pessoas submetidas a penas privativas de liberdade e a jovens sob medida socioeducativa que inclua privação de liberdade.

 'A ficha' do ex-governador

Cabral é apontado como chefe de uma organização criminosa que desviou milhões dos cofres públicos do Rio mediante a acordos com empresas – em sua maioria, construtoras – e fraudes em contratações para obras no estado. Ele responde a um total de 14 ações penais na Justiça e já foi condenado três vezes desde sua prisão: uma pelo juiz Sérgio Moro, de Curitiba, e duas pelo juiz Bretas. As penas, somadas, já ultrapassam o período de 72 anos de prisão.

Adriana Ancelmo chegou a cumprir prisão domiciliar no imóvel após conseguir reverter sua prisão preventiva em março deste ano alegando que seus filhos com Cabral (um com 11 e outro com 14 anos de idade) não deveriam ficar privados da convivência com os pais. Porém, ela foi obrigada a voltar para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, no Rio de Janeiro.

Adriana é ré ao lado do marido em ao menos setes processos ligados à Lava Jato. Em um deles, ela foi absolvida pelo juiz Sérgio Moro por considerar que não havia provas suficientes. Já em outro, o juiz Marcelo Bretas impôs condenação por crimes de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. A pena foi de 18 anos e 3 meses de cadeia.

Além das condenações na Justiça, Cabral e Adriana sofreram duras perdas patrimoniais desde a deflagração da Operação Calicute. Uma única decisão judicial, proferida em junho, determinou o bloqueio de R$ 3,1 bilhões do ex-governador.

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O casal também já teve imóveis, carros, joias, relógios , e até mesmo uma lancha e um jet boat apreendidos. Entre as poucas boas notícias que Sérgio Cabral e sua esposa receberam desde o último dia 17 de novembro, aliás, uma delas diz respeito justamente aos bens apreendidos na Lava Jato: a Justiça suspendeu o leilão antecipado dos bens do casal , incluindo aí uma mansão de veraneio avaliada em R$ 8 milhões em Mangaratiba. Mas, ainda assim, o caráter consolativo dessa pequena vitória do ex-governador é bem limitado uma vez que a decisão que suspendeu o leilão é provisória.

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