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Em depoimento, Sérgio Cabral rebateu acusações feitas pelo empresário Fernando Cavendish; ele criticou ainda o governo de seu sucessor no Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e disse que “essa crise não é minha”

 Sérgio Cabral está preso desde novembro de 2016 acusado de receber propinas em contratos de obras públicas
Agência Brasil
Sérgio Cabral está preso desde novembro de 2016 acusado de receber propinas em contratos de obras públicas

O anel de 220 mil euros, citado como contrapartida pela vitória da licitação da reforma do estádio Maracanã, foi chamado de "presente de puxa-saco"  pelo  ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). A declaração foi feita durante seu depoimento, nesta terça-feira (5), na 7ª Vara Federal Criminal, que julga os casos da Lava Jato no Rio. De acordo com informações da TV Globo, Cabral afirmou também que não era responsável pela escolha das empresas.

Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta, afirmou em depoimento , nesta segunda (4), que sua empresa conseguiu se envolver na obra do Maracanã depois que pagou uma joia para a mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, durante uma viagem a Paris em junho de 2009. Mas Cabral rebateu as acusações: "Presente de puxa-saco para me agradar, para minha mulher, que foi devolvido e ele assumiu", disse Cabral. "Chega a ser risível, um ano depois da obra do Maracanã. Um empreiteiro encalacrado, um réu, que lavou mais de R$ 300 milhões. Devolvi para ele em 2012 [o anel] e não quis mais conversa, rompemos relações",completou.

De acordo com a TV Globo, Cabral disse ainda que não atuou na escolha das empresas que participaram da licitação. "Sobre escolhas da empresa [na licitação], não participei. Não indiquei nenhum membro da comissão. Meu então vice, Pezão, foi meu secretário de obras. Dei autonomia ao então secretário de obras e assim ele fez", disse Cabral, dando a entender que a culpa seria o atual governador do estado. Pezão não foi denunciado nas investigações dos desdobramentos da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Sérgio Cabral afirmou ter recebido doações da Delta para campanha política, mas admitiu o uso irregular somente no que chamou de "sobra de campanha", não no processo de licitações. "Não é factível que eu possa organizar quem vai ganhar, sobretudo numa licitação que o brasileiro e o mundo inteiro tinham interesse. Não podia combinar resultados", afirmou.

“A crise não é minha”

O ex-governador fez críticas ao seu sucessor no Palácio da Guanabara, Luiz Fernando Pezão . "Infelizmente esse governo atual foi incapaz de manter o Teleférico do Alemão funcionando. Fico triste. Hoje saí da cadeia e vi carros da PM caindo aos pedaços. A crise não é minha não. Saí em abril de 14 com dinheiro em caixa, pagava em dia servidor."

O Rio de Janeiro passa por uma grave crise econômica , atrasando salários de servidores e realizando cortes em obras e ações sociais.

Cabral enalteceu ainda seus feitos como chefe do Estado, mas foi interrompido pelo juiz  Marcelo Bretas . “Não sou Adhemar de Barros: 'Rouba, mas faz'. Eu realizo. Realizei. Não pedi propina para nenhum construtor, nenhuma prestadora de serviços”, discursou o político até Bretas lembrar que o julgamento não era sobre os feitos dele no antigo cargo.  Adhemar de Barros foi um proeminente político de São Paulo nas décadas de 1940 e 1960.

O governo do Rio de Janeiro informou que não irá comentar as críticas de Cabral.

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