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Antônio Cruz/Agência Brasil - 15.7.15
Senador Renan Calheiros e o presidente Michel Temer durante evento do PMDB em julho do ano passado

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ex-líder do governo no Senado, atacou o presidente Michel Temer após a escolha do deputado  Carlos Marun (PMDB-MS) para assumir a chefia da Secretaria de Governo no lugar de Antonio Imbassahy (PSDB).

Por meio de sua conta no Twitter, Renan Calheiros  sugeriu que a nomeação de Marun, notável aliado de Eduardo Cunha (PMDB), prova que o ex-presidente da Câmara dos Deputados "segue dando as cartas" no cenário político em Brasília.

"O Eduardo Cunha montou esse governo e segue dando as cartas, mesmo da cadeia. Essa nomeação do Carlos Marun é um absurdo! O Temer poderia ter sido mais corajoso, tirado o intermediário e nomeado diretamente o próprio Cunha para a Secretaria de Governo", bradou Renan.

A nomeação de Marun para o principal posto na articulação política do governo se dá após pressão do chamado 'centrão', bloco político que integra partidos de médio porte. As lideranças de legendas como o PP, o PSD, o PR, o PRB e alas do próprio PMDB cobravam mais espaço na equipe de Temer , especialmente em relação aos cargos ocupados por nomes do PSDB, partido que tem demonstrado frágil apoio ao governo e tem discutido o desembarque da base aliada do Planalto.

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Quem é Carlos Marun

Carlos Marun foi o principal nome da chamada 'tropa de elite' de Eduardo Cunha durante seu mandato na presidência da Câmara. O parlamentar eleito pelo Mato Grosso do Sul ajudou a colocar em prática manobras para tentar evitar o avanço do processo que pedia a cassação do mandato de Cunha no Conselho de Ética da Câmara.

Na ocasião da votação do parecer que recomendava a perda do mandato de Cunha, Marun era o suplente da deputada Tia Eron (PRB-BA) no Conselho de Ética e só votaria caso a parlamentar não estivesse presente na sessão. Ela faltou à reunião que antecedeu a votação do parecer, abrindo caminho para Marun, mas, acuada pela pressão da oposição, acabou comparecendo à votação que levou adiante o processo de cassação.

Já no plenário da Câmara, Carlos Marun foi um dos dez deputados que votaram contra a cassação do mandato de Eduardo Cunha, que era acusado de quebra de decoro parlamentar por supostamente ter mentido a respeito de possuir contas no exterior durante depoimento à CPI da Petrobras. Além de votar a favor de Cunha, Marun foi o único dos 513 deputados a utilizar o microfone da tribuna para defender o ex-presidente da Câmara.

Mesmo depois de preso, Cunha e Marun ainda mantiveram os laços atados. No início deste ano, o deputado e agora  novo ministro de Temer visitou o ex-presidente da Câmara no cárcere do Complexo Médico-Penal em Pinhais.

Criticada por Renan Calheiros, a nomeação de Marun para substituir Antonio Imbassahy (que deve tomar o lugar de Luislinda Valois na pasta dos Direitos Humanos) foi confirmada pelo Palácio do Planalto nesta tarde por meio de sua conta no Twitter. A mensagem, no entanto, foi apagada minutos depois de ir ao ar.

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