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Declaração foi feita por videoconferência e durou cerca de 30 minutos; ex-presidente é testemunha de defesa de Bendine em processo na Lava Jato

Dilma afirmou que precisou persuadir Bendine para aceitar o cargo na presidência da Petrobras
Reprodução/Facebook
Dilma afirmou que precisou persuadir Bendine para aceitar o cargo na presidência da Petrobras

Na manhã desta sexta-feira (27) a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) prestou depoimentos ao juiz federal Sergio Moro. A declaração se refere ao processo da Lava Jato em que ela é testemunha de defesa do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine, acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, pertinência a organização criminosa e embaraço à investigação.

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O depoimento de Dilma durou cerca de 30 minutos. A chegada da petista junto de seu advogado Leonardo Isaac Yarochiwsky na sede da Justiça Federal em Belo Horizonte foi por volta das 10h50, e o testemunho foi feito por videoconferência a Moro, que fica em Curitiba.

Durante a declaração, a ex-presidente falou sobre a nomeação de Bendine para a presidência da Petrobrás. “Eu convidei o doutor Bendine e eu disse a ele que, para mim, era importante que ele deixasse a presidência do Banco do Brasil e fosse para a Petrobras", afirmou ela a Moro.

O convite foi feito quando Graça Foster havia decidido deixar o comando da estatal. "Em um determinado fim de semana, não lembro a data, ela, em definitivo, disse que se afastaria e me pediu que eu tomasse uma providência. A Petrobras não podia ficar sem direção", disse.

A petista ainda acrescenta porque escolheu Bendine "Escolhi o doutor Bendine e o doutor Ivan [de Souza Monteiro] pelo desempenho que eles tinham tido diante do Banco do Brasil que era um elemento, para mim, bastante valioso".

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Segundo a ex-presidente, não foi simples convencer Bendine e Monteiro a aceitarem o cargo. "Houve uma necessidade de uma persuasão. Eu persuadi o doutor Bendini a aceitar, junto com o doutor Ivan. Por que era também complicado? Era a saída dos dois, mas eles tinham sucessores naturais, pelo que me informaram. E, aí, foi possível fazer uma transição muito rápida".

Odebrecht

O Ministério Público Federal (MPF) acusa o ex-presidente da Petrobras de ter recebido R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht em 2015, quando assumiu o cargo na estatal. Porém, esse pedido havia sido feito antes, quando ele comandava o Banco do Brasil.

Ao ser questionada sobre o fato de ser Bendine o interlocutor da presidência com a Odebrecht, Dilma respondeu que ele era interlocutor da presidência como diretor-presidente do Banco do Brasil. “Qualquer outra especificação era, no mínimo, extemporânea. Ele era interlocutor do governo como presidente do Banco do Brasil".

A petista ainda negou saber da participação direta da presidência na decisão de assuntos que envolviam a Odebrecht.

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