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Para Diretório Nacional do partido, parlamentares descumpriram a decisão unânime da Executiva ao votarem à favor da reforma trabalhista de Temer

Ministro de Minas e Energia, Fernando Filho (PSB - PE) foi licenciado do cargo para votar à favor da reforma trabalhista
Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados - 11.02.15
Ministro de Minas e Energia, Fernando Filho (PSB - PE) foi licenciado do cargo para votar à favor da reforma trabalhista

Os deputados federais do PSB Danilo Forte (CE), Fábio Garcia (MT), Tereza Cristina (MS) e Fernando Coelho Filho (PE) – ministro de Minas e Energia – conseguiram uma decisão liminar, nesta segunda-feira (16), que impede a deliberação do Diretório Nacional do PSB que poderia decidir pela expulsão dos quatro parlamentares da sigla.

Segundo o PSB , na Câmara dos Deputados, os quatro deputados descumpriram a decisão unânime da Executiva e do diretório ao votarem favoravelmente à reforma trabalhista proposta pelo presidente Michel Temer .

Agora, os membros do diretório estão reunidos em Brasília para discutir sanções alternativas aos parlamentares. De acordo com o vice-presidente do partido, Beto Albuquerque, os deputados se “apegaram a uma filigrana jurídica para adiar” a deliberação do partido, que já recorreu das decisões.

Ele se refere à liminar concedida nesta segunda-feira (16) pelo juiz Hilmar Castelo Branco, da 21ª Vara Cível de Brasília, que atendeu o pedido dos parlamentares e impediu que o diretório tomasse uma decisão sobre o assunto em razão da reunião ter sido marcada com menos de oito dias de antecedência, conforme prevê o regimento interno da legenda.

“Se não houver hoje ainda a revisão por parte do juiz que deu a liminar ou do Tribunal de Justiça dos recursos que estamos apresentando, vamos hoje ainda convocar nova reunião para o dia 26, a próxima quinta-feira, e faremos aquilo que faríamos hoje”, disse Albuquerque.

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Para o deputado Júlio Delgado (MG), há outras medidas que podem ser tomadas pela Executiva do partido que não a de expulsar os deputados da sigla e que não descumpririam a liminar da Justiça Federal. “Há um desespero daqueles que, na iminência de sair [da sigla], entram na Justiça para permanecer onde aqueles que estão não os desejam mais. O partido vai sair maior do que isso. Talvez a reação contra eles seja maior do que essa que eles estão tentando produzir hoje”, declarou, antes da reunião do diretório.

Permanência estratégica

Segundo Delgado, a atitude demonstra também que os deputados favoráveis ao governo desejam permanecer na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara para garantir mais votos para barrar a denúncia contra o presidente Michel Temer que tramita no colegiado. Dentre os quatro parlamentares, Danilo Forte e Fábio Garcia são membros titulares da CCJ.

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A maioria da bancada federal também pode decidir destituir Tereza Cristina da liderança do partido na Câmara. Além dos quatro deputados, outros nove integrantes do partido possuem processos disciplinares em andamento por votarem a favor de Temer e contra deliberações do PSB nos últimos meses, mas eles ainda estão sendo analisados pelo Conselho de Ética da legenda. 

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