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Diretório Nacional do partido decidiu afastar o ex-ministro por sessenta dias; para a coligação, Palocci "descomprometeu-se com a sua militância"

Palocci afirmou em sua negociação de delação premiada que entregou dinheiro vivo a Lula em ao menos cinco vezes
Arquivo/Agência Brasil
Palocci afirmou em sua negociação de delação premiada que entregou dinheiro vivo a Lula em ao menos cinco vezes

O Diretório Nacional do PT decidiu, nesta sexta-feira (22), suspender Antonio Palocci do partido por sessenta dias, após o ex-ministro depor contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , em uma ação da Operação Lava Jato.

De acordo com o diretório, o petista foi suspenso por “mentir, sem apresentar provas, e seguir um roteiro pré-estabelecido em seu depoimento na 13ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba, no último dia 06 de setembro”. Para o partido, Palocci “rompeu seu vínculo com o partido e descomprometeu-se com a sua militância” ao se colocar “a serviço da perseguição político-eleitoral que é movida contra a liderança popular de  Lula  e o PT”.

Por unanimidade, o Diretório Municipal do PT de Ribeirão Preto abriu procedimento disciplinar para avaliação ética do comportamento de Palocci. O partido afirmou ainda que o depoimento do ex-ministro tinha como objetivo “obter a sua liberdade depois de um ano de prisão”.

Depoimento

O ex-ministro, que negocia um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato, declarou no início deste mês ao juiz federal Sérgio Moro que havia um "pacto de sangue" entre o PT e a empreiteira Odebrecht .  Entre os números citados por ele, está uma quantia de R$ 4 milhões em espécie recebida pelo ex-presidente.

"Eu chamei de 'pacto de sangue'. Porque envolvia um presente pessoal, que era um sítio, envolvia um prédio de um museu, pago pela empresa, envolvia palestras pagas a R$ 200 mil, fora impostos, combinadas com a Odebrecht para o próximo ano, e havia uma reserva de R$ 300 milhões que foram sendo disponibilizado com a planilha entregue pela empreiteira Odebrecht", revelou o ex-ministro.

Palocci também afirmou em sua negociação de delação premiada que entregou dinheiro vivo ao ex-presidente em ao menos cinco vezes . Ele disse ter feito as entregas pessoalmente, em pacotes com R$ 30 mil, R$ 40 mil ou R$ 50 mil.

O ex-ministro declarou ainda que pediu para Marcelo Odebrecht dinheiro para cobrir um buraco nas contas do instituto do ex-presidente.

"Em 2012, 2013, eu volto a tratar de alguns recursos a pedido do ex-presidente. Tem um episódio, que o Marcelo relatou, que é verdadeiro. É um pedido que eu fiz a ele, de R$ 4 milhões pro Instituto Lula. Isso é verdade", disse Palocci . O ex-presidente nega todas as acusações.

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