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O presidente em exercício afirmou que o DEM pode fazer retaliações depois de PMDB ter 'traído aliados' com a filiação de Fernando Bezerra; ainda disse que a segunda denúncia contra Temer será votada em outubro na Câmara

Rodrigo Maia afirma que a segunda denúncia contra Michel Temer será votada em outubro na Câmara dos Deputados
Lula Marques/Agência PT - 14.9.2016
Rodrigo Maia afirma que a segunda denúncia contra Michel Temer será votada em outubro na Câmara dos Deputados

Nas vésperas da chegada da segunda denúncia contra Michel Temer à Câmara, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez duras críticas ao peemedebista em uma entrevista ao Estadão/Broadcast  na noite dessa quarta-feira (20). De acordo com Maia, o presidente faltou com a palavra em relação à filiação ao PMDB do senador Fernando Bezerra (PE), ex-PSB, que estava em negociação com seu partido havia meses, junto de deputados da legenda.

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Segundo Rodrigo Maia , que ocupa interinamente o cargo de presidente da República durante a viagem de Michel Temer aos Estados Unidos, o DEM poderá reagir, citando possíveis retaliações em votações de interesse do governo. O atrito entre os dois partidos acontece após o episódio da tramitação da primeira denúncia contra Temer na Câmara, por corrupção passiva. Na época, realizou reuniões com integrantes da cúpula do PSB e, durante esse episódio, o presidente fez um jantar no Palácio do Jaburu para afirmar que o PMDB não estaria realizando ofensivas no então partido de Bezerra.

“Quando a gente faz um acordo, tem de cumprir a palavra. A coisa mais importante da política é palavra. Eu já avisei o presidente, isso causou muito desconforto dentro da bancada”, afirmou Maia. Ele ainda citou a participação dos ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil) na filiação do senador pernambucano ao PMDB, o que deixa uma “digital do governo” na iniciativa. “Não podemos ficar levando facada nas costas do PMDB, principalmente de ministros do Palácio e do presidente do partido [Romero Jucá]”, completou.

Com isso, o presidente interino defende que seu partido esteja sendo tratado como “adversário” pelo governo, e que esse “tratamento” poderá se refletir na relação da bancada com o Planalto. “Se é assim que eles querem tratar um aliado, eu não sei o que é um adversário. Quero que isso fique registrado, para que, quando a bancada do Democratas tiver uma posição divergente, o governo entenda”.

Votação em outubro

Dando continuidade à sessão que foi interrompida ontem,  o Supremo Tribunal Federal (STF) deve concluir hoje o julgamento sobre o envio à Câmara dos Deputados da segunda denúncia contra Temer, apresentada pelo ex-procurador-geral da República (PGR) Rodrigo Janot. Até agora, o placar da votação está 7 votos a 1 pelo envio.

Assim, com a iminência do recebimento da nova ação na Câmara , Maia pediu para que o Planalto pare com o que chamou de “fogo amigo”, sendo mais respeitoso durante a tramitação da nova ação penal contra Temer – por organização criminosa e obstrução de Justiça. E, mesmo com as duras críticas, o presidente da Câmara disse que a indisposição não deverá interferir na segunda denúncia. “Não vamos misturar uma coisa com a outra. Cada deputado votará com a sua consciência”, disse.

Ainda sobre o tema, afirmou que irá conduzir o processo na Câmara da mesma maneira que fez na ação por corrupção passiva, já barrada na Casa. Sobre uma possível data, Maia deseja concluir a votação até outubro. “Tem de esperar para ver quando o texto sai da comissão [CCJ]. Dependendo do dia, pode votar antes ou depois do feriado [de 12 de outubro]. Mas durante o mês de outubro certamente esta matéria estará resolvida”, pontuou.

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O presidente em exercício completou que não falará nada sobre a segunda ação contra Temer . “Eu vou ficar bem distante desse assunto, não vou conversar com nenhum deputado, não vou omitir mais nenhuma opinião. Na primeira denúncia, a minha opinião foi mal interpretada pelas pessoas que falam demais no Palácio [do Planalto]. Então agora eles terão de mim o silêncio absoluto. Nenhuma opinião nem contra nem a favor”, concluiu Rodrigo Maia.

*As informações são do jornal Estadão e da Câmara dos Deputados