Geddel Vieira Lima foi preso por suspeita de tentar atrapalhar investigação sobre esquema na Caixa Econômica Federal
Valter Campanato/Agência Brasil
Geddel Vieira Lima foi preso por suspeita de tentar atrapalhar investigação sobre esquema na Caixa Econômica Federal

O Ministério Público Federal (MPF), no documento em que pede a prisão preventiva do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), afirma que o peemedebista é um “criminoso habitual” e que “não há medidas cautelares alternativas que sejam capazes de impedir que novos delitos sejam cometidos”.

Geddel foi preso preventivamente pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (8) , em Salvador. A prisão acontece três dias após a apreensão de mais de R$ 51 milhões em notas, encontradas no 'bunker' de um apartamento supostamente utilizado por ele.

O peemedebista já cumpria prisão domiciliar, mas estava sem tornozeleira eletrônica, por falta do equipamento em Salvador. A prisão preventiva do ex-ministro foi determinada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília.

No documento, os procuradores defenderam a troca de regime domiciliar pela a de prisão preventiva argumentando que o ex-ministro continua praticando crimes, já que lavagem (ocultação) de dinheiro é delito permanente, e que, em casa, mesmo detido, ele poderia – como efetivamente o fez – manter contatos com outros envolvidos nos crimes.

O MPF lembra ainda que o primeiro pedido – analisado no início de julho pela Justiça Federal – teve como fundamento a constatação de que o peemedebista tentava obstruir as investigações. De acordo com os procuradores, na época, o objetivo do ex-ministro era evitar que o doleiro Lúcio Funaro firmasse acordo de colaboração premiada.

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Dinheiro reforça delações

O MPF destaca também que a descoberta do dinheiro na Operação Tesouro Perdido reforça informações dadas em depoimento pelo doleiro Lúcio Funaro e pelo empresário Joesley Batista.

Dinheiro encontrado em
Divulgação/Polícia Federal
Dinheiro encontrado em "bunker" de Geddel Vieira Lima será contabilizado em um banco, informou a PF

Os dois afirmaram que, assim como Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, o ex-ministro solicitava vantagens indevidas de empresas que buscavam empréstimos junto à CEF. Disseram ainda que a propina era paga por meio das empresas de Lúcio Funaro, inclusive, em espécie. O próprio Funaro teria relatado pagamentos da ordem de R$ 20 milhões.

Na noite desta quarta-feira (6), a PF encontrou impressões digitais do peemedebista no apartamento . As impressões digitais reforçam as suspeitas de ligação do ex-ministro com o dinheiro, comprovando que ele esteve no imóvel onde a quantia milionária estava guardada. Além disso, segundo os procuradores, duas testemunhas – uma delas o dono do imóvel –confirmaram à polícia que o ex-ministro usava o apartamento emprestado, a pretexto de guardar pertences do pai que morreu no ano passado.

Operação Cui Bono

A ação da PF desta sexta-feira (8) trata-se de uma nova fase da Operação Cui Bono, que investiga fraudes na Caixa Econômica Federal. Além do ex-ministro, o seu ex-assessor Gustavo Ferraz, também foi preso preventivamente.

A polícia cumpre ainda outros três mandados de busca e apreensão, todos na capital baiana. Um dos mandados foi cumprido na casa da mãe do peemedebista, que mora no mesmo prédio do filho. Por esse motivo, a PF demorou cerca de uma hora dentro do edifício, por volta das 5h40 às 6h40.

Geddel deixou o prédio pouco depois das 7h. Ele foi levado no banco de trás de uma viatura da PF, e chegou ao aeroporto Luiz Eduardo Magalhães cerca de meia hora depois, para ser levado a Brasília, onde ficará à disposição da Polícia.

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