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Petista mandou indireta ao desafeto político diante da possibilidade de o deputado Rodrigo Maia assumir a Presidência no lugar do peemedebista

Postagem de Dilma Rousseff foi feita pouco depois de Rodrigo Maia comentar sobre a crise na mesma rede social
Reprodução/Twitter
Postagem de Dilma Rousseff foi feita pouco depois de Rodrigo Maia comentar sobre a crise na mesma rede social

Ironizando a possibilidade de o presidente Michel Temer (PMDB) ser afastado do mandato, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) utilizou suas redes sociais nesta sexta-feira (7) para mandar indiretas ao desafeto político, de quem foi parceira de chapa nas eleições de 2010 e 2014.

As postagens de Dilma foram publicadas pouco depois de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ter utilizado a mesma rede social para comentar sobre a situação política  no País. “Precisamos ter muita tranquilidade e prudência neste momento. Em vez de potencializar, precisamos ajudar o Brasil a sair da crise”, escreveu o deputado, em um momento em que crescem as especulações de que o parlamentar tem ganhado força nos bastidores para substituir Temer.

“Desde [Karl] Marx sabemos: a história se repete, a primeira vez c/o tragédia [sic] e a segunda c/o farsa [sic]. Golpe 2016: tragédia.  2017: farsa das elites”, escreveu a petista. Minutos depois, a ex-presidente postou: “Em vez de carta twitter; verba volant scripta manent!”.

A petista ironizou a carta enviada a ela por Michel Temer – então vice-presidente – em dezembro de 2015, poucos dias depois de o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ter autorizado a abertura do processo de impeachment contra ela. No documento, Temer disse que se sentia como um “vice decorativo” e que a cúpula do governo do PT não confiava nele.  Na tradução para o português, a frase "verba volant, scripta manent" significa “as palavras voam, os escritos permanecem”.

Possível afastamento

Michel Temer poderá ser afastado do cargo caso dois terços dos deputados federais (o equivalente a 342 parlamentares) votem pela aceitação da denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo crime de corrupção passiva.

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Se houver votos suficientes pela aceitação da denúncia, Temer será afastado do cargo por até 180 dias. Nesse período, a Presidência da República será chefiada por Rodrigo Maia. Caso o peemedebista seja condenado – e, consequentemente, perca o mandato –, Maia terá 30 dias para convocar uma eleição indireta, na qual os deputados e senadores irão escolher quem será o presidente do Brasil até dezembro de 2018.

Os sinais de enfraquecimento da base aliada de Temer no Congresso ficaram ainda mais evidentes depois das declarações do presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), dadas à imprensa nesta semana. O tucano afirmou que o atual governo “caminha para a ingovernabilidade” e citou Maia como eventual responsável por um período de “travessia”.

Renan Calheiros

No dia 29 de junho, Dilma também utilizou o Twitter para comentar sobre a saída de Renan Calheiros (PMDB-AL) da liderança do partido no Senado. Na ocasião, Renan chamou Michel Temer de covarde  e afirmou que Eduardo Cunha , preso em Curitiba desde o ano passado, ainda exerce forte pressão no governo. “Senador Renan Calheiros confirma o q/ [sic] sempre denunciamos: Eduardo Cunha levou a cabo o golpe  p/ [sic] governar por trás de Temer, até da cadeia.”