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Ministro foi flagrado em ligação com o senador afastado, na qual o tucano pede ao magistrado que interceda para facilitar aprovação de projeto

Gilmar Mendes foi sorteado relator de ação contra Aécio Neves após pedido da Procuradoria-Geral da República
Edilson Rodrigues/Agência Senado - 24.2.2015
Gilmar Mendes foi sorteado relator de ação contra Aécio Neves após pedido da Procuradoria-Geral da República

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta segunda-feira (26) que não está constrangido e nem se considera impedido de relatar um dos inquéritos que investigam o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG). O magistrado participou de evento no Instituto Fernando Henrique Cardoso e falou com jornalistas após dar palestra.

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O magistrado foi gravado pela Polícia Federal em uma ligação telefônica com Aécio, na qual o tucano pede ao ministro que interceda no Senado para facilitar a aprovação de um projeto de lei. O conteúdo da conversa foi divulgado por diversos veículos da imprensa. O caso fez com que um grupo de juristas protocolasse um pedido de impeachment contra Gilmar Mendes .

Aécio responde no STF a dois inquéritos abertos a partir das delações premiadas dos executivos do Grupo JBS. Um dele trata do crime de lavagem de dinheiro e o outro de corrupção e obstrução da Justiça.

Em maio, o senador foi afastado das funções legislativas, a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República). Na semana passada, o STF adiou o julgamento sobre a prisão de Aécio e determinou a soltura da irmã e do primo do senador afastado, investigados na mesma operação.

Relatoria

Na sexta-feira (23), Gilmar sorteado como relator de uma das ações contra Aécio . A redistribuição foi feita após solicitação da PGR (Procuradoria-Geral da República). Até então, o responsável pelo inquérito era o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo.

A abertura da investigação foi autorizada por Fachin em abril, atendendo a pedido da PGR com base nas delações premiadas dos ex-executivos da construtora Odebrecht Marcelo Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, Sérgio Luiz Neves e Cláudio Melo Filho.

De acordo com o Ministério Público, os delatores apontaram por “meio de declaração e prova documental” que foram prometidas e efetuadas “vantagens indevidas” a Aécio e seus aliados durante a campanha à Presidência em 2014, quando o parlamentar terminou a disputa em segundo lugar. Segundo as investigações, há indícios de que Aécio Neves teria cometido os crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.

Semana de sorte

Aécio teve diversas decisões a seu favor na última semana. Além da definição da relatoria de Gilmar Mendes em um de seus processos, a irmã do tucano, Andrea Neves, foi colocada em prisão domiciliar após mais de um mês no presídio . Na sexta-feira, Conselho de Ética do Senado arquivou pedido de cassação contra o parlamentar.


* Com informações da Agência Brasil

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