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Empresário é ouvido no âmbito das investigações da Operação Bullish, que apura favorecimento de R$ 8,1 bilhões ao grupo JBS via aportes do BNDES

Empresário Joesley Batista é ouvido no âmbito de investigações da Operação Bullish
Reprodução/Facebook
Empresário Joesley Batista é ouvido no âmbito de investigações da Operação Bullish

O empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS e pivô do maior escândalo vivenciado pelo presidente Michel Temer em seu governo, presta depoimento desde o início da mannhã desta quarta-feira (21) à Polícia Federal em Brasília. Joesley chegou à Superintendência da PF na capital federal por volta das 9h, acompanhado de advogados, conforme infomou a assessoria do empresário à Agência Brasil .

A audiência com Joesley Batista se dá no âmbito das investigações da Operação Bullish , deflagrada em maio para investigar fraudes e irregularidades em aportes ao grupo JBS concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

De acordo com as apurações tocadas pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal do Distrito Federal, houve suposto favorecimento de R$ 8,1 bilhões às empresas do grupo JBS por meio de aportes do BNDES no período entre 2007 e 2011.

Joesley não prestou depoimento quando a operação foi deflagrada, em 12 de maio, porque estava fora do País.

Justiça proíbe venda de operações da JBS fora do Brasil

Por conta das investigações da Bullish, a Justiça proibiu o grupo JBS de vender a operação de seus frigoríficos na Argentina, no Paraguai e no Uruguai. As vendas já haviam sido acordadas no início do mês entre a empresa dos irmãos Batista e frigoríficos controlados pelo grupo Minerva Foods, num negócio de US$ 300 milhões. 

A defesa dos irmãos Joesley e Wesley Batista (donos da JBS), e dos executivos Ricardo Saud e Francisco Assis e Silva recorreu contra a decisão, mas recebeu mais uma negativa nessa terça-feira (20).

O grupo alegava que a proibição deveria ser retirada, uma vez que houve acordo firmado entre os executivos e o Ministério Público Federal. O MPF concordou com a alegação e apoiou a liberação da venda das operações da JBS fora do Brasil.

No entanto, o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, entendeu que seria "prematura" a liberação da venda em face do "momento de fragilidade" das provas apresentadas pelos donos da JBS até então.

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Queixa-crime de Temer

Nesta terça-feira (20), a Justiça Federal em Brasília rejeitou queixa-crime apresentada por Michel Temer contra Joesley , que era acusado de ter cometido crime de calúnia contra o presidente. O pedido de investigação criminal se baseou em entrevista concedida por Joesley à revista Época, ocasião em que o empresário afirmou que Temer é o "chefe da quadrilha mais perigosa do País".

No despacho que recusou a ação contra o empresário, o juiz Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de Brasília, considerou que houve "inequívoco" intuito de Joesley em corroborar na entrevista as informações que ele havia prestado ao Ministério Público Federal em seu acordo de delação premiada.

"Se é assim, não há como identificar na conduta do querelado [Joesley Batista] a vontade específica de macular a imagem de alguém. Observo que manifestação eventualmente ofensiva feita com o propósito de informar, debater ou criticar, desiderato particularmente amplo em matéria política, não configura injúria", escreveu o magistrado em sua decisão.

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*Com informações e reportagem da Agência Brasil

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