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Doleiro também acusa presidente de ter ordenado a distribuição de dinheiro desviado da Caixa Econômica Federal para uso em campanhas do PMDB

Preso desde julho de 2016, Funaro é acusado de atuar para Cunha em um esquema de propina na Caixa Econômica Federal
reprodução/tv senado
Preso desde julho de 2016, Funaro é acusado de atuar para Cunha em um esquema de propina na Caixa Econômica Federal

O doleiro Lúcio Bolonha Funaro declarou, em seu depoimento à Polícia Federal no dia 14 de junho, em Brasília, que o presidente Michel Temer (PMDB) tinha conhecimento dos pagamentos de propina para a Petrobras, e que o peemedebista ainda havia ordenado a distribuição de R$ 20 milhões dos cofres públicos para campanhas eleitorais.

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Segundo Funaro , Temer sabia dos pagamentos de propina feitos pela Odebrecht para conquistar contratos na petroleira e que favoreceu os grupos privados aliados em 2013, período em que tramitava a medida provisória dos portos no Congresso.

O operador ainda destacou que, no período entre 2010 e 2014, o esquema que havia participado, destinou R$ 100 milhões às campanhas do partido do presidente, PMDB.

As informações ditas por Funaro à PF foram anexadas ao inquérito que investiga Teme r no Supremo Tribunal Federal (STF), por corrupção, obstrução de justiça e organização criminosa. De acordo com o Palácio do Planalto, as acusações são falsas, e Temer nunca havia dado nenhuma orientação sobre a distribuição de valor nenhum e não tinha relações com o doleiro.

Essa foi uma prévia do que Funaro poderá colaborar com as investigações da Polícia Federal, já que o operador se manifestou com “inteira disposição para celebrar um acordo de colaboração”, referindo-se a uma possível delação premiada.

Ele também citou outros nomes importantes do PMDB como participantes do esquema. Entre eles: o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Alves, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, e o vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade.

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Desenrolar

Funaro afirmou que foi ele o interlocutor entre o empresário Joesley Batista e o ex-ministro Geddel Vieira Lima , que era vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal.

Por interesse em obter linhas de créditos junto à Caixa por parte do dono da JBS, a relação entre os dois começou a fluir e a cada operação feita pelo grupo comandado por Joesley, o J&F, o ex-ministro recebia comissões. Segundo o depoimento do doleiro, Geddel recebeu cerca de R$ 20 milhões em espécie.

Funaro também operava junto a outra Vice-presidência da Caixa por influência do PMDB da Câmara: a Vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias, dirigida por Fábio Cleto, que atualmente é delator da Lava Jato.

Durante a gestão de Cleto, Funaro declarou que investimentos no FGTS para as empresas BR Vias e LLX também rendiam comissões de cerca de R$ 20 milhões. Esse dinheiro havia sido usado, a mando de Temer, em campanhas para prefeito de São Paulo, em 2012, de Gabriel Chalita, pelo PMDB, e na campanha para a Presidência da República, em 2014.

O operador afirma ainda que as transações feitas junto ao fundo de investimentos do FGTS também beneficiaram o ex-ministro de Temer, Henrique Eduardo Alves e o atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco.

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