Há duas semanas, Funaro já havia comparecido à delegacia para registrar seu primeiro depoimento no acordo de delação
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Há duas semanas, Funaro já havia comparecido à delegacia para registrar seu primeiro depoimento no acordo de delação

Na última quarta-feira (14), o doleiro Lúcio Bolonha Funaro fez novas revelações à Polícia Federal. O depoimento, que durou mais de quatro horas, foi o segundo, desde sua primeira visita à delegacia, no dia 2 deste mês.

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 Convocado para esclarecer alguns pontos do último interrogatório, Funaro respondeu todas as perguntas que lhes foram feitas e, inclusive, fez declarações sobre o presidente Michel Temer (PMDB) e o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, acusados por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça.

Em seu primeiro depoimento, Funaro havia acusado o ex-ministro Geddel Vieira Lima, que ocupou a Secretaria de Governo no início do mandato de Temer, de ter feito sondagens, ligando várias vezes para a esposa do doleiro, a fim de descobrir se ele faria acordo de delação premiada, conforme a imprensa havia divulgado.

Há pouco mais de três meses, em 7 de março, o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, afirmou ao presidente da República que estava pagando mesadas a Funaro e o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para evitar a delação. Na conversa, gravada pelo executivo da empresa frigorífica, Temer teria dito “tem que manter isso, viu?!”.

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Funaro também relatou que, até sair do cargo, Geddel era o principal representante de Joesley no governo. Esse ponto remete à conversa do empresário com Temer, onde o executivo teria dito que com a demissão de Geddel, precisaria de um novo interlocutor.

Nesse momento, o presidente indica, então, Rocha Loures para tratar de “tudo” com o empresário. Dias depois, o ex-assessor é flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil de Ricardo Saud, operador da propina da JBS.

Segundo as investigações da PF, essa seria a primeira parte de uma propina que atingiria R$ 600 milhões em 25 anos que, de acordo com Saud, seria para Temer. Como resultado de todas essas irregularidades um inquérito foi aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) e a prisão de Rocha Loures.

Mudança

Em um primeiro momento, Funaro não estava querendo colaborar com as apurações da PF. No entanto, há duas semanas o doleiro procurou o advogado Antonio Figueiredo Bastos para o representar em acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República. Segundo a defesa do doleiro, ele está decidido a esclarecer tudo o que estiver ao seu alcance.

Lúcio Bolonha Funaro está preso no Complexo Penitenciário da Papuda desde junho do ano passado. Ele é acusado de, junto ao ex-deputado Eduardo Cunha, desviar dinheiro público e construir uma rede de poder político por meio de financiamento legal e ilegal de campanhas eleitorais.

Funaro é suspeito de ter sito interlocutor do repasse de R$ 4 milhões da Odebrecht a alguns políticos do PMDB bem próximos a Temer.

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