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Valor se refere a parte dos R$ 2 milhões enviados por executivos da empresa a Aécio; restante foi apreendido em posse de assessor de Zezé Perrela

Primo do Aécio Neves, Frederico Pacheco foi filmado recebendo dinheiro de executivo da JBS
REPRODUÇÃO/POLÍCIA FEDERAL
Primo do Aécio Neves, Frederico Pacheco foi filmado recebendo dinheiro de executivo da JBS

Os advogados de Frederico Pacheco de Medeiros, o Fred, primo do senador afastado Aécio Neves (PSDB) devolveram na tarde dessa terça-feira (13) em uma agência da Caixa Econômica Federal em Belo Horizonte R$ 1,52 milhão recebidos por Fred do executivo Ricardo Saud, da J&F, holding da rede de frigoríficos JBS.

A quantia se refere a parte dos R$ 2 milhões que o primo de  Aécio  recebeu a pedido do senador afastado . Os R$ 480 mil restantes já foram apreendidos pela Polícia Federal e estavam sob posse de Mendherson Souza Lima, assessor do senador Zezé Perrela (PMDB), que também participou do recebimento dos recursos da JBS.

De acordo com a delação premiada do empresário Joesley Batista , o dinheiro foi pedido a ele por Aécio Neves , que alegou precisar de ajuda para arcar com a sua defesa em processos ligados à Operação Lava Jato. Afastado do mandato de senador após se tornar alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), o tucano diz que não houve irregularidades no pedido e que isso ocorreu no âmbito privado, portanto sem contrapartidas ligadas à sua atividade parlamentar.

O primo do candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014 está preso desde o dia 18 do mês passado em um presídio na cidade de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Fred foi filmado pela Polícia Federal retirando mala com R$ 500 mil do escritório de Ricardo Saud no dia 12 de abril deste ano. Essa foi a segunda das quatro entregas combinadas com os representantes da J&F. As demais foram realizadas nos dias 5 e 19 de abril, e em 3 de maio.

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"A gente mata eles"

O pagamento em quatro parcelas de R$ 500 mil foi combinado em conversa gravada entre Joesley e Aécio Neves. No diálogo, o empresário diz que, caso o próprio senador se prontifique a retirar o dinheiro, ele mesmo o entregaria. Já se Aécio optasse por enviar seu primo, Joesley também mandaria um emissário para fazer a entrega.

Ao ouvir essa segunda opção, o senador tucano afirma: “Tem que ser um que a gente mata eles antes dele fazer delaçãoo [risos]”.

O recebimento do dinheiro motivou denúncia encaminhada no início deste mês pela Procuradoria-Geral da República ao STF. Aécio Neves é denunciado por corrupção passiva e suposta tentativa de obstrução à Justiça. Também são alvos da denúncia Frederico Pacheco, a irmã de Aécio, Andrea Neves, e Mendherson Souza Lima.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma na peça que o pagamento dos R$ 2 milhões configura vantagem indevida e que o Grupo J&F recebeu contrapartidas de Aécio Neves em razão de sua atividade no Congresso Nacional.

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