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Advogados pedem que os investigadores da Polícia Federal sejam proibidos de fazer perguntas sobre gravação, caso Fachin mantenha o interrogatório

Defesa de Michel Temer já havia apontado a necessidade de aguardar a conclusão de perícia para marcar depoimento
Isac Nóbrega/PR - 18.5.17
Defesa de Michel Temer já havia apontado a necessidade de aguardar a conclusão de perícia para marcar depoimento

A defesa do presidente Michel Temer enviou nesta quarta-feira (31) pedido para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin reconsidere a decisão que autorizou a Polícia Federal a tomar depoimento do presidente . Os advogados querem que Temer seja interrogado somente após a conclusão da perícia na gravação feita pelo empresário Joesley Batista.

Os advogados de Michel Temer já haviam alegado anteriormente a necessidade de aguardar a análise nos áudios entregues pelo dono do grupo JBS. Mas diante da decisão do ministro Fachin em aceitar o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para ouvir o peemedebista, a defesa espera agora que o relator da Lava Jato determine, pelo menos, que os investigadores da PF não façam perguntas ligadas à gravação, cuja validade é questionada por Temer.

“Além de insanáveis ilicitudes formais, que serão apontadas oportunamente, já se mostrou que o próprio conteúdo da prova arquitetada pelo citado empresário foi evidentemente adulterado”, escreveram os advogados de Temer, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira e Sérgio Eduardo de Mendonça de Alvarenga. 

Na decisão que autorizou a tomada de depoimento de Temer, Fachin instruiu a PF a enviar perguntas por escrito ao presidente, que deve respondê-las no prazo de 24 horas após o recebimento.

“É de fácil percepção a absoluta impossibilidade de o Presidente da República fornecer respostas enquanto não finalizada a perícia deferida como prioridade por Vossa Excelência. Especialmente, impossíveis de ser respondidos seriam eventuais quesitos que digam respeito a uma gravação que, de antemão, já se sabe fraudada!”, diz a peça.

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O controverso áudio

Com cerca de 40 minutos de duração, o áudio da conversa entre Temer e Joesley Batista é um dos elementos que justificaram a abertura de um inquérito contra o presidente no Supremo. Na gravação, feita em encontro ocorrido em março deste ano no Palácio do Jaburu, Temer e Batista conversam sobre o cenário político e econômico e também acerca da situação do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato.

A gravação é inconclusiva, mas há a hipótese de que Michel Temer avalizou o plano do empresário para comprar o silêncio de Cunha em trecho no qual o presidente afirma "Tem que manter isso, viu?". O presidente nega que tenha sido essa a sua intenção ao proferir a frase.

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*Com reportagem da Agência Brasil

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