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Deputado informou ao STF que depositou o dinheiro que faltava na bagagem entregue à Polícia Federal; segundo depoimento do empresário Joesley Batista, montante que havia sido entregue ao parlamentar era de R$ 500 mil

Deputado afastado Rodrigo Rocha Loures entregou mala com dinheiro vivo à PF; mas com R$ 35 mil a menos
Reprodução/Globonews
Deputado afastado Rodrigo Rocha Loures entregou mala com dinheiro vivo à PF; mas com R$ 35 mil a menos

O deputado federal afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) avisou, nesta quinta-feira (25), ao Supremo Tribunal Federal que realizou, na última quarta-feira (24), o depósito judicial dos R$ 35 mil que faltavam na mala de dinheiro entregue à Justiça.

A mala de dinheiro havia sido entregue ao deputado em uma pizzaria de São Paulo por Ricardo Saud, que é diretor da JBS. O material estava desaparecido desde o dia 28 de abril , quando câmeras flagraram Rocha Loures segurando a bagagem e entrando em um táxi.

"Rodrigo Santos da Rocha Loures, por seus advogados, nos autos da ação cautelar nº 4328, vem perante Vossa Excelência informar que realizou na data de ontem o depósito judicial de R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais), quantia esta relacionada à investigação conduzida nos autos do inquérito nº 4483, conforme guia de depósito judicial ora apresentada (doc. 1). O referido montante encontra-se depositado na conta nº 86400176-5, agência nº 3133, da Caixa Econômica Federal", diz a petição enviada ao ministro Fachin.

Histórico

A Polícia Federal informou na terça-feira (23) que a mala de dinheiro que estava com o parlamentar foi entregue às autoridades com R$ 35 mil a menos do que havia sido informado no depoimento feito pelo proprietário da JBS, Joesley Batista.

O auto de apreensão feito pela Polícia Federal constava que a mala que estava em poder de Rocha Loures continha R$ 465 mil em espécie, dividido em 9,300 cédulas de R$ 50. A bagagem foi entregue aos policiais pelos advogados do parlamentar na última segunda-feira (22).

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Entenda o caso

Os proprietários da JBS, Wesley e Joesley Batista, apresentaram à PGR (Procuradoria-Geral da República) uma gravação na qual o presidente Michel Temer endossa o pagamento de uma "mesada" para calar o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB)  e o operador de propinas Lúcio Funaro, ambos presos.

No depoimento aos procuradores, Joesley revelou que a ordem da mesada na cadeia não partiu de Temer, mas que o presidente tinha total conhecimento de toda a operação.

Outra informação que atinge diretamente o presidente é a de que Loures, homem de confiança de Temer, teria recebido propina para cuidar de uma pendência da J&F, holding que controla a JBS. A pendência, no caso, seria a disputa entre a Petrobras e a J&F sobre o preço do gás fornecido pela estatal para a termelétrica EPE.

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Ao ser indagado por Joesley sobre quem poderia ajudar a resolver esta situação a seu favor, Temer teria apenas respondido para falar "com o Rodrigo" – referindo-se a Rocha Loures. A pendência foi resolvida mediante um pagamento de R$ 500 mil semanais por 20 anos, tempo que duraria o acordo com a EPE. Apenas a primeira parcela de R$ 500 mil teria sido paga ao deputado.

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