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Advogados afirmam que é preciso aguardar a análise dos áudios e pedem ainda que o interrogatório do peemedebista seja feito por Edson Fachin

Áudio da conversa entre Joesley e Michel Temer foi homologado como parte da delação premiada dos executivos da JBS
Marcelo Camargo/ABr
Áudio da conversa entre Joesley e Michel Temer foi homologado como parte da delação premiada dos executivos da JBS

A defesa do presidente Michel Temer (PMDB) recorreu, nesta quarta-feira (24), ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a tentativa da Polícia Federal de tomar o depoimento do peemedebista. De acordo com os advogados, uma escrivã da PF entrou em contato com a banca de advogados na manhã desta quarta para saber quando Temer poderia depor.

Em petição enviada no início da tarde desta quarta ao ministro Edson Fachin, relator do inquérito contra o presidente no STF, os advogados sustentam que Michel Temer não pode prestar depoimento porque ainda não está pronta a perícia que está sendo realizada pela própria PF no áudio no qual o empresário Joesley Batista, dono da JBS, gravou uma conversa com o presidente.

"Não obstante, com o devido respeito, entende-se como providência inadequada e precipitada, conquanto ainda pendente de conclusão a perícia no áudio gravado por um dos delatores, diligência extremamente necessária diante das dúvidas gravíssimas levantadas – até o momento – por três perícias divulgadas", diz a defesa.

Os advogados pediram ainda que, se o presidente for interrogado, o ato deverá ser presidido pelo ministro. “Pede-se vênia, ainda, para reiterar que se o presidente da República for ouvido deverá sê-lo em ato presidido por Vossa Excelência ou responder por escrito quesitos adredemente elaborados”, argumentam os advogados. O caso deverá ser decidido ainda hoje pelo ministro Edson Fachin.

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Gravação

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou no domingo (21) à Polícia Federal uma série de questionamentos sobre as gravações feitas pelo dono do grupo JBS, Joesley Batista, antes de firmar a delação premiada que serviu de base para a abertura de inquérito contra o presidente.

A defesa de Temer também enviou os chamados “quesitos” ao Supremo Tribunal Federal (STF), contendo 15 pontos. Desde que o conteúdo da conversa veio à tona, Temer tem feito críticas e desqualificado as acusações. Ele negou que tenha atendido a pedidos de Joesley e disse não acreditar no que chamou de "fanfarronices" do empresário, quando este disse que buscava obstruir a Justiça. Ao pedir a continuidade das investigações, a PGR garantiu que não há "mácula que comprometa a essência do diálogo".

O ofício do Ministério Público Federal, endereçado ao delegado Josélio Azevedo de Souza, coordenador da Força Tarefa da Operação Lava Jato no STF, contém 16 perguntas a serem analisadas pela perícia técnica da PF. Entre outros pontos, elas questionam o formato do áudio, eventuais interrupções e evidência de que alguns trechos foram editados.

O pedido foi feito após o Supremo determinar, no sábado (20), a verificação técnica do conteúdo gravado por Joesley. Atendendo solicitação da defesa de Michel Temer, o STF enviou o conteúdo para perícia da PF, mas não suspendeu as investigações .

* Com informações da Agência Brasil

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