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Advogado diz que perícia apontou 70 "pontos de obscuridade" na gravação entre o presidente e empresário da JBS e agora quer que inquérito prossiga

Abertura do inquérito sobre Michel Temer por corrupção passiva foi autorizada pelo ministro Edson Fachin
Marcos Corrêa/PR - 15.05.2017
Abertura do inquérito sobre Michel Temer por corrupção passiva foi autorizada pelo ministro Edson Fachin

A defesa do presidente Michel Temer desistiu nesta segunda-feira (22) do recurso no qual solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão das investigações relacionadas ao presidente. A medida foi tomada após o anúncio de que a Corte autorizou a Polícia Federal a realizar uma perícia no áudio  entregue pelo empresário Joesley Batista em seu depoimento de delação premiada.

De acordo com um dos representantes de Michel Temer, o advogado Gustavo Guedes, após o deferimento de perícia, a defesa está satisfeita e não quer mais o julgamento do recurso. Guedes também anunciou que a defesa contratou uma perícia particular para analisar o áudio. Segundo o advogado, foram encontrados "70 pontos de obscuridade no material".

“A defesa do presidente apresentou petição dizendo agora: nos sentimos atendidos com o deferimento da perícia [oficial] e a partir desse laudo que nós juntamos agora, que nos dá segurança, nós queremos agora que isso se resolva o mais rapidamente possível”, disse.

A abertura do inquérito sobre Temer por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça foi autorizada pelo ministro Edson Fachin na quinta-feira (18), a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo o Ministério Público Federal, em encontro com o empresário Joesley Batista, Temer deu aval para que ele continuasse a pagar uma espécie de mesada ao ex-deputado Eduardo Cunha e ao doleiro Lúcio Funaro, ambos presos, para que continuassem em silêncio. O áudio da conversa, gravada por Joesley, foi disponibilizado na última quinta-feira (18) .

No fim de semana, em novo pronunciamento à nação, Temer anunciou um recurso ao Supremo, questionou a legalidade da gravação e disse que há muitas contradições no depoimento de Joesley, dono do grupo JBS, como a informação de que o presidente teria dado aval para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, que está preso em Curitiba. Temer classificou a gravação de clandestina, manipulada e adulterada, "com objetivos nitidamente subterrâneos".

Cármen Lúcia

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, havia decidido nesta segunda-feira (22) condicionar o julgamento sobre o pedido de suspensão do inquérito contra o presidente à conclusão da perícia no áudio da conversa entre Temer e o empresário Joesley Batista , dono da JBS.

"A gravidade e a urgência da deliberação do tema pelo plenário conduzem-me a liberar a pauta. Quando o ministro relator avisar estar habilitado a levar a questão, o pedido será julgado em sessão que será comunicada previamente aos ministros deste tribunal", afirmou a presidente em decisão de 12h50, e que foi divulgada por volta das 15h.

O áudio da conversa entre Joesley e Temer foi homologado como parte da delação premiada dos executivos da JBS, maior frigorífico do Brasil. No último sábado, o inquérito para investigar Michel Temer foi aberto por Fachin  . No entanto, peritos afirmam que a gravação de áudio pode ter sido editada.

* Com informações da Agência Brasil

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