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Acordo vantajoso conseguido pelo dono da JBS teria como explicação a contratação de um ex-procurador como seu advogado; PGR nega informação

Enquanto os partidos da base aliada de Michel Temer decidem se desembarcam ou não do governo e os índices econômicos oscilam diante da crise política instalada no Palácio do Planalto, Joesley Batista, dono da JBS e principal nome da delação que bombardeou o noticiário do País nos últimos dias, está solto. Por quê?

De acordo com informações do Radar On-Line, da revista Veja, um dos fatos que garantiu um acordo tão vantajoso para Joesley foi a contratação do ex-procurador Marcelo Miller como seu advogado. Teria sido Miller quem negociou com seus antigos colegas os termos da delação do empresário.

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Áudio da conversa entre Michel Temer e Joesley Batista foi divulgado pelo STF nesta quinta-feira (18)
Beto Barata/PR - 18.5.2017
Áudio da conversa entre Michel Temer e Joesley Batista foi divulgado pelo STF nesta quinta-feira (18)

Informações divulgadas pelo jornal Estado de S. Paulo afirmam que Miller surpreendeu seus companheiros do Ministério Público Federal ao anunciar que deixaria seu cargo para trabalhar no escritório Trench, Rossi & Watanabe Advogados, do Rio de Janeiro. O anúncio se deu em 6 de março, às vésperas de Joesley se encontrar com Temer e gravar o diálogo com o presidente.

Segundo uma reportagem publicada pela revista Piauí, o acordo que Miller teria negociado com a Procuradoria-Geral da República inclui o mínimo de dano possível para a JBS e a garantia de que os irmãos Joesley e Wesley Batista não seriam presos, não usariam as temidas tornozeleiras eletrônicas e que poderiam até morar nos EUA, longe do olhar de reprovação dos brasileiros. A iniciativa dos Batista foi classificada neste sábado (20) por Temer como o "crime perfeito".

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A PGR, por sua vez, negou a informação veiculada pela imprensa na manhã de hoje. "Acerca de notícias veiculadas pela imprensa na manhã deste sábado, 20 de maio, a Procuradoria-Geral da República esclarece que o ex-procurador da República e hoje advogado Marcelo Miller não participou das negociações do acordo de colaboração premiada dos executivos do grupo J&F", diz a nota oficial do órgão.

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