Tamanho do texto

Diálogo com o Congresso e resultados econômicos respaldam mandato de Temer: só a continuidade pode evitar que o País atole em crise institucional

Acusado de querer acabar com programas sociais, Michel Temer investiu no Bolsa Família, Fies e Minha Casa Minha Vida
Beto Barata/PR - 20.3.17
Acusado de querer acabar com programas sociais, Michel Temer investiu no Bolsa Família, Fies e Minha Casa Minha Vida

Os depoimentos prestados por ex-executivos da Odebrecht e a divulgação da lista de políticos que serão investigados no Supremo Tribunal Federal (STF)  provocaram nos últimos dias um cenário de histeria coletiva em Brasília. A bem da verdade, a capital federal tem sido palco de uma constante crise desde o início da Operação Lava Jato, em 2014, e a situação se agravou durante o processo de impeachment contra Dilma Rousseff, que culminou na içada de Michel Temer ao posto de presidente da República.

Com a laboriosa tarefa de recuperar a economia do País diante deste quadro tenebroso, Michel Temer  conseguiu retomar o diálogo entre o Executivo e o Legislativo – fator indispensável para uma República. Respaldado pela promoção de reformas e por bons resultados na economia, hoje a continuidade do governo Temer revela-se a melhor opção para evitar que o Brasil atole em uma crise institucional.

Em pouco menos de um ano à frente do cargo, o constitucionalista nascido no interior de São Paulo conseguiu promover o controle das contas públicas por meio da redução de despesas e pela aprovação da chamada PEC do Teto de Gastos. No campo econômico, a equipe de Temer também conseguiu controlar a inflação (que passou de 10% para 4,55%), fato que ajudou a elevar a confiança do setor privado no Brasil.

Com a serenidade que lhe é habitual, Temer concedeu entrevista à TV Bandeirantes no último sábado (15), quando se mostrou comprometido com as reformas em curso no País (trabalhista, previdenciária e política) e voltou a rechaçar denúncias surgidas contra ele no âmbito das delações de ex-executivos da Odebrecht.

Leia também -Janaina Paschoal: "Não me sinto obrigada a eventualmente denunciar o Temer"

Defesa

Embora tenha sido citado em dois pedidos de abertura de inquérito aceitos pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, Temer não será alvo de investigação. Ele negou mais uma vez as acusações feitas por um ex-diretor da Odebrecht , segundo o qual Temer teria participado de reunião em que foi combinado o pagamento de US$ 40 milhões em propina ao PMDB.

"Não vou manchar a minha biografia a esta altura da vida. Com a idade que eu tenho, com a vida pública que eu tive ao longo do tempo. Foi muito impróprio o que o cidadão disse. Ele até mencionou a presença de pessoas que não estavam lá, a significar, portanto, que era um depoimento de pouca consistência", afirmou o presidente.


O Brasil não pode parar

Um dos maiores desafios do governo neste momento pós-lista de Fachin é evitar que as ações do Poder Executivo sejam paralisadas devido ao rebuliço no Congresso Nacional.

Temer diz que reconhece e considera "legítima" a indignação da população com as denúncias surgidas a partir dos acordos de delação premiada firmados com a força-tarefa da Lava Jato. Ainda assim, o presidente pondera que o País precisa "ir pra frente" e que, para isso, ele precisará contar com a continuidade dos trabalhos da Câmara e do Senado.

"Eu estou governando ancorado e apoiado pelo Congresso Nacional. Consegui aprovar coisas que estavam paralisadas lá há muito tempo", expôs o presidente. "Eu tinha muitas informações, há muito tempo se fala que sairia uma lista muito longa, não é de hoje. Temos que compreender essa indignação e praticar gestos, modos e fórmulas para custear... Para superar essa indignação, fazendo com que o País vai para frente."


Reforma da Previdência

Michel Temer voltou a sair em defesa da reforma da Previdência Social, considerada a proposta mais polêmica de seu governo. O presidente defendeu a tese de que as mudanças nas regras para a aposentadoria são necessárias não apenas para o futuro, mas também para a manutenção de ações do governo nos tempos atuais.

"Se nós não tivermos a redução do deficit da Previdência, daqui a pouco, nós não temos programas sociais, não temos investimentos, o que seria do Brasil?", indaga o presidente. 

O presidente também ressaltou que a redação da proposta tem recebido diversas alterações baseadas em sugestões de integrantes do Congresso, frisando que as negociações entre os poderes Executivo e o Legislativo são uma premissa do presidencialismo democrático.


Leia também: Conheça a trajetória de Michel Temer, substituto de Dilma na Presidência do País

Bolsa Família, Fies e Minha Casa Minha Vida

"Muitas vezes dizem assim: 'o Temer vai acabar com o Bolsa Família, vai acabar com o Minha Casa Minha Vida, vai acabar com o Financiamento Estudantil para os mais pobres, vai acabar com tantas coisas'", lembrou o presidente Temer na entrevista à Band .

O peemedebista fez questão de rebater às ilações de que ele teria a intenção de enfraquecer os programas sociais. Segunto Temer, seu governo valorizou o Bolsa Família em 12,5%, após o programa passar mais de dois anos e meio sem receber um reajuste.

O presidente também destacou a retomada das contratações do programa Minha Casa Minha Vida, a criação de 75 mil vagas no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e a liberação de mais de R$ 41 bilhões para saque das contas inativas do FGTS.


Planejamento e reforma política

Questionado sobre as propostas em tramitação na Câmara e no Senado que visam alterar os sistemas político e eleitoral,  Temer reforçou na entrevista à Band o veio reformista de sua gestão, revelando um plano de governo que, após mirar nos gastos públicos, no ensino médio, na Previdência Social e nas relações de trabalho, deverá se debruçar sobre a reforma política.

"Temos que reduzir o número de partidos políticos, mas nós não podemos fazê-lo de uma maneira traumática, não simplesmente eliminar os partidos. Eu proponho sempre a tese de federação dos partidos, ou seja, você faz uma eleição, soma seis, sete partidos pequenos e mantém a federação durante o mandato. Eles não podem se desvincular.  Quando se faz uma eleição dessa maneira, numa segunda eleição, a tendência é que aqueles seis, sete partidos se convertam em um só", propôs o presidente.

"Vamos continuar a agir, e cada vez mais"

Em sua mensagem final, Temer voltou a ressaltar a necessidade de os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário – bem como os diversos setores da sociedade – manterem o empenho para fazer o Brasil finalmente virar a página da crise.

"Temos pouco tempo e as necessidade são urgentes. Nós precisamos mais do que nunca agilizar a nossa atividade. Então, se eu puder lançar uma mensagem, é uma mensagem de ânimo. Ânimo no sentido de ânima , de alma. Ânima em latim é alma. Nós temos que colocar alma nessa história, nós temos que estar animados, colocar ânima, colocar a alma nesse assunto", defendeu o presidente Michel Temer.