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Segundo jornal, ex-funcionário responsável por entregar R$ 5 milhões a campanhas do PMDB combinou códigos para o chefe da Casa Civil receber

Licenciado da Casa Civil, Eliseu Padilha é acusado de receber dinheiro de caixa dois da construtora Odebrecht
Antônio Cruz/ Agência Brasil - 12.05.2016
Licenciado da Casa Civil, Eliseu Padilha é acusado de receber dinheiro de caixa dois da construtora Odebrecht

O ex-funcionário da Odebrecht José de Carvalho  afirmou em depoimento à Justiça Eleitoral nesta sexta-feira (11) que o hoje ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, possuía quatro senhas para receber doações da construtora via caixa dois. As informações foram publicadas neste sábado (11) em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo .

Em depoimento no âmbito da ação contra a chapa que elegeu Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer , em 2014, José de Carvalho relatou que ele e Padilha  definiram locais de entrega dos valores mediante algumas senhas definidas pela ex-secretária da Odebrecht Maria Lúcia Tavares – que também prestou depoimento ao TSE. As quatro senhas eram: Foguete, Árvore, Morango e Pinguim.

De acordo com o Estado , Carvalho teria procurado Eliseu Padilha para combinar os locais onde os pagamentos seriam feitos. O ex-funcionário da Odebrecht trabalhava na equipe de Cláudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da construtora e primeiro a imputar essas acusações contra o chefe da Casa Civil de Temer.

Os pagamentos teriam ocorrido da seguinte maneira: R$ 1,5 milhão em agosto de 2014 (senha foguete);  R$ 1 milhão no dia 2 de setembro de 2014 (senha árvore); mais R$ 1 milhão no dia 4 de setembro (senha morango); mais R$ 1 milhão no dia 10 de setembro (sem senha informada); e outros R$ 500 mil no dia 30 de setembro (senha pinguim). 

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Segundo o delator, ao menos R$ 500 mil teriam sido destinados ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB).

Um desses locais informados por Padilha teria sido o escritório de José Yunes, ex-assessor e amigo pessoal de Michel Temer. O próprio Yunes já confirmou que recebeu um "pacote" em seu escritório em São Paulo a pedido do ministro da Casa Civil, e que a entrega fora posteriormente retirada por Lúcio Funaro, apontado como operador de propina de Eduardo Cunha.

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