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Gráfica Focal é uma das empresas investigadas por supostas irregularidades durante a campanha eleitoral de 2014; dono da empresa e outras três testemunhas foram ouvidas nesta segunda-feira (20) pela Justiça Eleitoral

Advogados do presidente, Michel Temer, e da ex-presidente Dilma acompanharam os depoimentos desta segunda
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Advogados do presidente, Michel Temer, e da ex-presidente Dilma acompanharam os depoimentos desta segunda

O proprietário da gráfica Focal, o empresário Carlos Roberto Cortegoso, testemunha ligada às gráficas que prestaram serviços à campanha de 2014 da chapa Dilma Rousseff e Michel Temer, foi o último a ser ouvido nesta segunda-feira (20) na sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em São Paulo. A gráfica é uma das empresas investigadas por supostas irregularidades durante a campanha eleitoral. Cortegoso saiu por volta das 16h15, sem falar com a imprensa.

Cortegoso e outras três testemunhas foram ouvidas nesta segunda-feira pelo ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin, relator da ação que pede a cassação da chapa Dilma e Temer. Os depoimentos estão sendo transmitidos por videoconferência para o ministro em Brasília.

Na saída do local, o advogado Marcio Antonio Donizete Decreci, que defende Cortegoso, disse que os depoimentos são sigilosos e evitou dar muitos detalhes sobre o que foi dito. “Isso corre sob sigilo e só estou acompanhando”, disse. “Carlos esclareceu todos os pontos do trabalho que ele desenvolveu na campanha, em relação ao trabalho da Focal e os serviços realizados”, disse. “Ele prestou o serviço, isso eu posso dizer”, ressaltou.

Outros depoimentos

Além de Cortegoso, mais três pessoas foram ouvidas: duas como investigadas, os empresários Rodrigo Zanardo e Rogério Zanardo, da Rede Seg Gráfica, e o ex-motorista de Cortegoso, Jonathan Gomes Bastos, como testemunha.

Em seu depoimento, o ex-motorista, que já havia prestado depoimento no dia 8, disse que foi usado como laranja sem seu conhecimento. Ele contou que está movendo um processo contra a gráfica, onde trabalhou por 13 anos. "Minha vida mudou muito, hoje tenho o nome sujo, estou desempregado. Usaram meu nome em três empresas citadas na Lava Jato [Focal Point, Redeseg e VTPB]. Fui um laranja”.

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O motorista disse ainda que está com dificuldades para conseguir emprego. "Só preciso voltar a trabalhar. O que vai acontecer com eles não me importa, porque eles são 'peixe grande', tudo bandido e com eles não vai acontecer nada".

Sobre o depoimento do ex-motorista, o advogado de Cortegoso preferiu não fazer comentários. “Isso é uma questão que está toda no processo e, nesse momento, não quero me manifestar sobre isso”.

Advogados

Os advogados do presidente da República, Michel Temer, e da ex-presidente Dilma Rousseff acompanharam os depoimentos desta segunda-feira na sede do TRE. Na saída, Gustavo Guedes, o defensor do presidente, disse que esta “foi mais uma audiência extenuante” e que as testemunhas ouvidas, desde as 10h, “em nada contribuem com o objeto desse processo”.

Segundo Guedes, o testemunho do ex-motorista é estranho ao processo. “A relação societária que ele tinha com o senhor Carlos Cortegoso é uma situação estranha a esse processo. O Brasil não pode seguir com esse processo tão importante para esse País por conta de uma relação societária de uma gráfica ou de uma empresa que forneceu para a campanha. Na nossa avaliação, esse é um tema que deve ser tratado na esfera criminal e tributária”.

Guedes disse que as provas no processo comprovam que as gráficas forneceram material de campanha. “[As testemunhas] confirmaram que todo o serviço foi prestado, nos volumes que foram cobrados. Se não houve a contraprestação devida, embora as provas do processo indicam que houve, isso deve incitar outra investigação para apurar porque isso não ocorreu”.

Segundo o advogado de Temer, não houve irregularidades na campanha. “Em princípio não teve nenhuma irregularidade. No ponto de vista formal da campanha, ela pagou as notas fiscais que foram entregues a ela. Se faltou algum tipo de material ou contraprestação, isso deve ser apurado em outro processo”.

Já Flávio Caetano, advogado de Dilma, disse que o “processo está caminhando para o seu final”. “Estamos na fase de prova de perícia contábil. As testemunhas que são ouvidas agora tem relação direta com a perícia contábil e hoje foram ouvidas duas empresas, a Rede Seg e a Focal. Da Rede Seg foram ouvidas duas testemunhas que trouxeram documentos que não existiam ainda no processo e que comprovam, cabalmente, a realização integral de tudo o que foi contratado. A empresa recebeu R$ 6 milhões da campanha de Dilma e Temer”, falou.

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“A segunda testemunha, o senhor Carlos Cortegoso, da empresa Focal, também veio esclarecer como a empresa trabalhou tanto com a parte gráfica quanto com a parte de eventos, comícios e palanques e porque ele recebeu R$ 24 milhões”, disse o advogado de Dilma.

De acordo com o advogado de Dilma, o testemunho do ex-motorista causa estranheza ao processo. “A empresa que participou da campanha foi a Focal e havia um relacionamento societário dele [do motorista] com o Cortegoso em uma empresa chamada Focal Point, que não trabalhou para a campanha de Dilma e Temer. Portanto, são questões laterais que devem ser tratadas em outros processos, jamais na Justiça Eleitoral”.

* Com informações da Agência Brasil

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