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Ex-ministro de Dilma disse que o governo Temer é um "desastre" e que Moro impulsionou o impeachment da petista, "ultrapassando a legalidade"

No início de 2016, Cardozo defendeu que pessoa que vazou conteúdo de delação da Lava Jato fosse punida
José Cruz/Agência Brasil - 08.04.16
No início de 2016, Cardozo defendeu que pessoa que vazou conteúdo de delação da Lava Jato fosse punida

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo disse que as decisões do juiz Sergio Moro interferiram nos processos políticos e impulsionaram o impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff (PT). Além disso, longe do governo federal, ele não poupou críticas ao governo Temer. As declarações foram feitas em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo , publicada nesta quarta-feira (4).

"Se realmente as coisas se confirmarem que para alguns a lei vale e para outros a lei é só sorrisos, efetivamente vai mal a coisa", afirmou Cardozo , em referência à foto em que Moro aparece sorrindo com Aécio Neves (PSDB) em um evento .

Cardozo assumiu a cadeira de procurador do município de São Paulo, em novembro. Com isso, ele – que serviu ao governo Dilma – agora tem como chefe o prefeito João Doria (PSDB).

Sobre o fato de estar trabalhando com o tucano, o ex-ministro do governo petista afirmou que, como servidor público, "pouco importa se ele concorda ou não concorda com o governo".

Cardozo passou em concurso em 1982 para o cargo de procurador da capital paulista e está afastado desde 1994, quando assumiu uma vaga de vereador.

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"Sou procurador de carreira. Tive afastado alguns períodos quando fui secretário da prefeitura, os oito anos em que fui vereador, oito em que fui deputado e os quase seis anos que fui ministro. É natural que cessando essas funções que me dão licenciamento automático eu volte para minha carreira", disse.

Críticas a Moro e a Temer

Agora que está longe do governo federal, Cardozo não evitou assuntos polêmicos como evitava no cargo de ministro. Um deles é a imparcialidade e a influência do juiz Sergio Moro na política brasileira.

Em imagem polêmica, o presidente Michel Temer (PMDB) aparece sentado em uma poltrona em frente a Sérgio Moro e Aécio Neves (PSDB) em evento
Reprodução/Twitter
Em imagem polêmica, o presidente Michel Temer (PMDB) aparece sentado em uma poltrona em frente a Sérgio Moro e Aécio Neves (PSDB) em evento

"Em certos momentos me parece que o juiz Sergio Moro decidiu questões que efetivamente ultrapassaram a legalidade", afirmou.

"Se os áudios [conversa entre Dilma e Lula sobre o termo de posse de sua nomeação para a Casa Civil] envolviam indícios de crime, teriam que subir pro Supremo em sigilo, segundo a lei. Se não envolviam, teriam que ter sido incinerados. Moro disse que não envolviam indícios de irregularidades, então, se não envolviam, ele não poderia ter divulgado conversas privadas. Isso ofende claramente a lei, ofende claramente a Constituição".

Para o ex-ministro de Dilma, o governo Temer, que é "de homens brancos, sem mulheres, conservadores", seguiu "uma linha política que não foi a que elegeu a chapa Dilma-Temer". "É um desastre em todo os sentidos", afirma.

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"É curioso que quando Dilma Rousseff quer nomear um ex-presidente da República que era importante pro seu governo como ministro - e é óbvio que o Lula faria diferença naquele momento na articulação política do governo- se acusou Dilma de nomear um ministro para tirar a possibilidade de uma investigação em primeira instância. E agora vários acusados estão exercendo cargo ministerial e ninguém fala que isso é uma forma também de subtrair a investigação da primeira instância. Como é que se explica isso?", analisa Cardozo.

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