
No pedido de vista que interrompeu a análise, na Segunda Turma do STF, do afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal, na terça-feira (8), o decano da Corte, Gilmar Mendes, apontou três razões para colocar a decisão do colega André Mendonça em dúvida.
A primeira era de ordem prática. O processo entrou em pauta menos de uma hora antes do início da sessão virtual. Isso, segundo o ministro, impossibilitou a análise completa dos autos e da decisão de afastamento.
A outra razão era jurídica. O afastamento foi pedido por um partido político, o que contraria o sistema acusatório. Além disso, como um ministro da Primeira Turma, Alexandre de Moraes, era citado no caso, a competência da análise deveria passar para o Plenário, e não para a Segunda Turma -- onde Mendonça teria maioria.
Por fim, Mendes defendeu que uma decisão daquela envergadura precisava levar em conta os riscos ao equilíbrio da disputa eleitoral.
A análise do caso travou, Andrei seguiu afastado e, 24 horas depois, estava reintegrado ao posto, graças a outro ministro.
Flávio Dino, relator na Corte das investigações sobre emendas parlamentares, foi acionado pela defesa de Andrei, que argumentou que tais apurações corriam risco devido ao afastamento ordenado por Mendonça.
Dino matou no peito e aceitou o argumento. Não sem antes dar a Mendonça algumas aulas de etiqueta. Ele disse que o colega tem tomado decisões em causa própria e lembrou do encontro secreto entre o ministro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em 2025.
Recomendou ainda recato a Mendonça, que dias antes gravou mensagem agradecendo orações e apoio dos fãs. A sugestão era para evitar "vídeos, cartas ou atitudes similares" que podem ser compreendidos como o que são: manifestações político-partidárias em tempos de eleições.
Aqui Dino mostrou alinhamento a Gilmar, o que permite vislumbrar o que ambos devem decidir caso o tema chegue ao Plenário.
O puxão de orelhas é um termômetro do clima no Supremo desde que Mendonça e Moraes entraram numa guerra sem precedentes na história da Corte.