Presa em casa, a empresária Márcia Pinto dos Anjos é esposa de Tunay Pereira Lima, braço-direito de Glaidson Acácio dos Santos
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Presa em casa, a empresária Márcia Pinto dos Anjos é esposa de Tunay Pereira Lima, braço-direito de Glaidson Acácio dos Santos

Marcia Pinto dos Anjos, de 48 anos foi presa preventivamente na tarde desta terça-feira (31), na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, pela Polícia Federal (PF). A ação ocorreu em cumprimento a um mandado expedido pela 2ª turma especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

A mulher é investigada na Operação Kryptos, deflagrada em agosto de 2021, acusada de fazer parte da organização criminosa responsável por fraudes bilionárias envolvendo criptomoedas.

Segundo informações da PF, a prisão foi realizada na residência de Márcia, no bairro da Barra da Tijuca, por policiais federais do Núcleo de Capturas da PF/RJ (NUCAP). A mulher já cumpria prisão domiciliar e foi encaminhada ao sistema prisional do estado, onde permanecerá à disposição da justiça federal.

De acordo com fontes da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), Márcia deu entrada nesta quinta-feira (2) no Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica, na Zona Norte do Rio.

Márcia Pinto dos Anjos é esposa de Tunay Pereira Lima, braço-direito de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como o “Faraó dos bitcoins”. Ela é dona de uma empresa que, segundo a Polícia Federal, também fazia parte da teia montada por Glaidson para movimentar o lucro obtido com o esquema criminoso. A partir de 2019, ela "apresentou uma variação brusca de padrão de vida", ainda conforme consta no relatório da investigação. "Tal evolução patrimonial repentina se refletiu, de maneira proporcional, na aquisição desenfreada de bens de luxo pelo casal", prossegue o texto.

Entre os itens comprados, estão uma Land Rover de R$ 329 mil, um Porsche de R$ 487 mil e até duas lanchas que, somadas, custaram mais de R$ 2 milhões. Márcia e Tunay também trocaram um apartamento financiado de R$ 655 mil na Glória, bairro situado na região central do Rio, por uma mansão avaliada em R$ 5,7 milhões, para onde mudaram-se em 2020.

Preso na operação em agosto de 2021, Tunay Pereira Lima morava em uma cobertura no prédio para onde Glaidson mudou-se em 2017, em Cabo Frio. Após tornar-se sócio de Glaidson na GAS, chegou a receber, entre 2017 e 2020, transferências no valor total de R$ 77 milhões diretamente de contas ligadas à empresa ou ao próprio ex-garçom.

"Ante o seu vínculo estreito com Glaidson, além de ser sócio de fato da GAS, Tunay demonstra ser um dos líderes da organização criminosa pela destinação do proveito criminoso para seu patrimônio próprio, o que somente se afere na camada superior da estrutura", diz o relatório da PF, que também se refere a Tunay como "braço-direito de Glaidson". Há nove meses preso, o ex-garçom teve novo mandado de prisão expedido, dessa vez, da 4ª Vara Criminal de Niterói. Com essa, ele acumula três ordens de detenção preventiva.

O nome da operação, Kryptos, vem do termo grego para designar o "oculto' ou o 'escondido". De acordo com a investigação, a empresa GAS Consultoria, com sede na Região dos Lagos, é responsável por operacionalizar um sistema de pirâmides financeiras ou "esquemas de ponzi", calcado na efetiva oferta pública de contrato de investimento, sem prévio registro junto aos órgãos regulatórios, vinculado à especulação no mercado de criptomoedas, com a previsão de insustentável retorno financeiro sobre o valor investido.

Em reportagem publicada pelo GLOBO, na última segunda-feira (30), o advogado David Figueiredo, que representa a GAS Consultoria e Tecnologia Ltda. no processo de recuperação judicial da empresa, anunciou que pretende pedir à Justiça do Rio autorização para movimentar os criptoativos bloqueados judicialmente. O objetivo seria gerar lucros que contribuam para o ressarcimento dos credores.

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