Preso na Colômbia, Bernardo Bello já presidiu escola de samba no RJ

Contraventor tinha relação íntima com ex-capitão Adriano da Nóbrega, morto em 2020

Foto: Reprodução
Bernardo Bello já foi presidente da Vila Isabel

Preso neste sábado em Bogotá, na Colômbia, o contraventor Bernardo Bello tem uma longa relação com a escola de samba Unidos de Vila Isabel, agremiação que já presidiu entre 2017 e 2018. Antes, ele já integrava a diretoria da Vila. Apesar da importância na escola, Bernardo sempre procurou se manter longe dos holofotes.

Bello foi preso na manhã deste sábado acusado de ser mentor intelectual da morte de Alcebíades Paes Garcia, o Bid, em fevereiro de 2020. A vítima era irmão de Waldemir Paes Garcia, o Maninho, ex-sogro de Bernardo, também assassinado. De acordo com as investigações, Bello assumiu o controle dos negócios ilegais da família Garcia e planejou a morte de Bid em meio às disputas pelo controle dos pontos de jogo do bicho e exploração de caça-níqueis. Bernardo foi casada com uma das filhas de Maninho, Tamara Garcia.

As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público revelam ainda uma íntima relação de Bello com o ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, morto em fevereiro de 2020 durante uma operação policial na Bahia. Adriano chefiava o grupo de matadores de aluguel Escritório do crime e foi acusado de integrar uma milícia no Rio.

O início da conturbada relação entre Bernardo e Adriano da Nóbrega remonta ao ano de 2006, quando o oficial passou a trabalhar como segurança de José José Luís de Barros Lopes, o Zé Personal, então marido de Shanna Garcia, irmã de Tamara. Em 2008, quando Adriano era investigado por uma série de homicídios a mando do chefe, Bernardo afirmou, num depoimento à polícia, que sua vida estava em risco por conta de um desentendimento entre Zé Personal e o restante da família de Maninho.

Dois anos mais tarde, Bernardo foi à 16ª DP (Barra da Tijuca) para denunciar um suposto plano de Adriano para matá-lo. Segundo o registro de ocorrência que fez à época, Bernardo foi procurado por um homem que o alertou sobre uma reunião “com cerca de 50 pessoas, entre policiais, ex-policiais e ex-presidiários, onde foi encomendada sua morte”. Bernardo aponta Adriano, Shanna e Zé Personal como mandantes do crime. Segundo o relato, na reunião, “foi faldo que as mortes deveriam ocorrer independentemente de quem estivesse junto das pessoas indicadas para morrer, não poupando ninguém, amigos ou familiares”.

Inquérito: Irmão de Maninho foi morto um mês após ser testemunha em investigação de atentado contra Shana Garcia

Em 2016 e 2017, anos em que Bernardo já integrava a diretoria da Vila Isabel, Adriano recebeu credenciais da Liga Independente das Escolas de Samba para desfilar como diretor da escola. Os documentos foram apreendidos numa das ações do Ministério Público para prendê-lo.

Início da relação com a Vila Isabel

A relação de Bernardo com a Vila Isabel começou em 2014, quando ele apoiou Elizabeth de Souza Aquino, a Dona Beta, na disputa pela presidência. Naquele ano, a agremiação, campeã do carnaval anterior, fez um desfile catastrófico e ficou em 10º lugar. Com apoio do contraventor Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, de quem é afilhado, Bernardo entrou em cena contra Wilson Vieira Alves, o Moisés, e o filho Wilson da Silva Alves, o Wilsinho, então presidente da escola.

Dona Beta venceu a disputa e Bernardo deu os primeiros passos na agremiação, passando a fazer grandes investimentos. Em abril de 2017, Bello abandonou a discrição e se rendeu à vaidade: incomodado com o prestígio do então presidente da escola e seu amigo de infância, Levi Júnior, ele resolveu assumir o posto. Bernardo permaneceu na presidência da Vila por menos de um ano. Em março de 2018, renunciou.

No carnaval de 2020, apesar de afastado da diretoria da escola, Bernardo foi um dos responsáveis por negociar um contrato milionário da Vila Isabel com uma cervejaria, que culminou na polêmica troca da rainha de bateria da escola. Na ocasião, Sabrina Sato foi substituída por Aline Riscado.