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Arquivo familiar
Irmão de Adalberto afirmou que ele chegou ao Rio ainda criança, acompanhado da mãe

O morador em situação de rua Adalberto Alves de Araújo, de 51 anos, é uma das vítimas da guerra entre facções pelo controle do tráfico na Praia do Recreio, na Zona Oeste do Rio. Ele foi morto durante um ataque de uma das quadrilhas a integrantes do grupo rival no calçadão, em novembro do ano passado. Neste domingo, o EXTRA revelou que, segundo um relatório da PM, a disputa entre criminosos da Cidade de Deus, também na Zona Oeste, e do Morro dos Macacos, na Zona Norte, já contabiliza oito mortes.

O autor dos tiros que mataram Adalberto é um adolescente, apreendido em flagrante pela Polícia Civil na noite do crime. Outros quatro homicídios decorrentes da guerra entre as quadrilhas já foram solucionados pela Delegacia de Homicídios (DH). Há casos de execuções de criminosos que estavam a caminho da praia e até mortos em tiroteios na Pedra do Pontal, em frente à praia.

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Na época do crime, testemunhas afirmaram à polícia que o morador em situação de rua estava comendo uma quentinha distribuída por um projeto social quando o menor passou atirando em direção a traficantes rivais que estavam sentados naquele local. Adalberto — que, segundo frequentadores da praia, também armazenava drogas para traficantes em troca de esmolas — foi atingido no tórax.

Ele dormia, todos os dias, sob a marquise do Centro Cultural do Surf, perto do Posto 12. No canto da praia, onde vivia com outros moradores em situação de rua, ele era conhecido como Visconde de Sabugosa — personagem do ‘‘Sítio do Pica-pau Amarelo’’, obra de Monteiro Lobato — por causa do seu cavanhaque.

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Adalberto nasceu em Santa Isabel do Pará, no estado do Pará, mas veio para o Rio aos 9 anos com a mãe, que fugia do marido que era alcoólatra e a agredia. Há cerca de três anos anos, entretanto, o vício em álcool e brigas com parentes o levaram às ruas do Recreio.

Sua mãe queria levá-lo para morar com ela, na Baixada Fluminense, mas Adalberto recusou o convite. Por fim, a família ainda tentou interná-lo numa clínica para dependentes químicos, sem sucesso. Nas ruas, o homem dependia da compaixão integrantes de projetos sociais que distribuem refeições para comer. Os únicos pertences de Adalberto ao fim de sua vida — um travesseiro, um cobertor, poucas peças de roupas, um boné e um par de chinelos — foram recolhidos por funcionários da Comlurb e jogados no lixo no dia seguinte ao crime.


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