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Responsável pela integridade da nossa fauna e flora, a PM Ambiental presta contas à sociedade com um incrível livro de fotografias artísticas

Policia Militar Ambiental em patrulhamento aquático. Note o novo fardamento verde com camuflagem digital para selva
foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
Policia Militar Ambiental em patrulhamento aquático. Note o novo fardamento verde com camuflagem digital para selva

A Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo faz parte de um seleto grupo de forças de segurança pública que possuem os braços mais abrangentes e longos da lei. A PMA pode ser entendida como o “190” da nossa flora e fauna, mas o trabalho silencioso, discreto e pouco conhecido destes “Policiais Verdes” é muito mais complexo e abrangente do que isso.

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Os 1.900 homens e mulheres da Polícia Militar Ambiental , executam diariamente operações de fiscalização preventiva e de combate à crimes em andamento, tanto em grandes centros urbanos como em pequenos povoados rurais, acessando todo tipo de terreno, como mangues, rios, represas, mananciais, mar, montanhas, campos, selva e matas.

Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo
foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo

Os tipos de ocorrências que nossos Policias Verdes se envolvem, vão desde o resgate de animais silvestres, mantidos em cativeiro, até a aplicação de pesadas multas ao agronegócio que agride o meio ambiente, e passando também pela prisão dos verdadeiros terroristas do meio ambiente, que lucram com a destruição da nossa fauna e flora, enfrentando a PMA com armamento pesado e de alto poder ofensivo.

Para executar suas missões, a Ambiental passou a usar equipamentos e tecnologias de ponta, como drones e veículos aéreos não tripulados, embarcações marítimas blindadas, veículos terrestres 4x4 off road, assim como a recente implantação dos uniformes de camuflagem para selva, com padrão digital.

À frente do Policiamento Verde, desde novembro de 2016, está o veterano Coronel PM Alberto Malfi Sardilli que, nos seus 32 anos de Policia Militar, já comandou a ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), o Regimento de Cavalaria 9 de Julho e a Agência de Inteligência do Comado do Policiamento de Choque, entre várias outras posições.

As estatísticas da gestão do Coronel Sardilli são impressionantes. Alguns exemplos incluem a execução de mais de 200.000 intervenções policiais, os quase R$ 250 milhões em multas aplicadas, as 1.176 armas de fogo apreendidas e os mais de 53.000 animais silvestres recuperados, tratados e na sua maioria devolvidos ao seu habitat natural.

Viatura da Policia Militar Ambiental em patrulhamento rural
foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
Viatura da Policia Militar Ambiental em patrulhamento rural

Com o objetivo de prestar contas para a população paulista, e também homenagear os homens e mulheres sob seu comando, Sardilli teve a iniciativa de registrar as ações da Polícia Militar Ambiental através do livro de fotografias artísticas "Polícia Ambiental", financiado pela iniciativa privada, e lançado no inicio deste mês no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo.

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Para isso ele pediu a ajuda do Major PM Luis Augusto Ambar, Subcomandante do Regimento de Cavalaria 9 de Julho, um Policial com 28 anos de carreira na Policia Militar, e que além de possuir inúmeras vitórias em competições de hipismo, também é um fotógrafo de qualidade superior, com obras premiadas e vários livros de fotografia de arte publicados.

Conheça abaixo um pouco mais sobre a Polícia Militar Ambiental paulista, e seu livro de arte, na conversa que tive com Sardilli e Ambar.


Entrevista com Coronel PM Alberto Malfi Sardilli, Comandante da PMA

Coronel PM Alberto Malfi Sardilli, Comandante da Polícia Militar Ambiental. Acima à direita, Sardilli num evento que a PMA fez com crianças indígenas da tribo Tekoá Pyau. Abaixo, o Coronel com sua Tropa
foto: Policia Militar Ambiental / DIVULGAÇÃO
Coronel PM Alberto Malfi Sardilli, Comandante da Polícia Militar Ambiental. Acima à direita, Sardilli num evento que a PMA fez com crianças indígenas da tribo Tekoá Pyau. Abaixo, o Coronel com sua Tropa

Depois de comandar dois Batalhões de Choque, a ROTA e a Cavalaria, Comandar todo policiamento de Guarulhos e dirigir a Agência de Inteligência do Comando de Policiamento do Choque, como é a responsabilidade de proteger do nosso meio ambiente?

Confesso que quando cheguei na Polícia Militar Ambiental, há cerca de um ano e meio, não conhecia os detalhes do seu funcionamento, o que de certa forma foi positivo, pois eu não possuía nenhuma interferência da experiência longa nesse setor. Isso me permitiu fazer reflexões bastante objetivas sobre as minhas ações nesse novo comando. A experiência e conhecimentos que adquiri no Choque foi crítica para isso. Após 32 anos de carreira, conheço muito bem o substantivo “Policia Militar”, e agora tive o desafio e o prazer de conhecer em detalhes o adjetivo “Ambiental”.

Qual foi seu primeiro desafio na PMA?

Quando cheguei, percebi que a Ambiental possuía um forte e eficiente viés na questão administrativa da fiscalização. Percebi imediatamente que meu desafio seria acrescentar a atuação Policial para essa Tropa. As ações administrativas são importantes, mas a atuação de Policiamento Militar é mais. Nossa função primária é fazer patrulhamentos ostensivos e preventivos para coibir a ação dos infratores e também combater situações de crimes em andamento, aplicando o rigor da lei. Se ação Policial é o foco e for desenvolvida com eficiência, o crime tende a diminuir, assim como as ações administrativas.

O resgate, tratamento e libertação  de animais silvestres, que são retirados de seu habitat para serem contrabandeados e comercializados ilegalmente, é uma atividade diária da Polícia Militar Ambiental.
foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
O resgate, tratamento e libertação de animais silvestres, que são retirados de seu habitat para serem contrabandeados e comercializados ilegalmente, é uma atividade diária da Polícia Militar Ambiental.

Você pode dar alguns exemplos de como fez isso?

Sim, vou citar três. O primeiro foi desenhado para atingir o bolso dos criminosos, fazer com que o crime fique mais caro do que agir na legalidade. Ao tomar uma área de destruição ilegal de vegetação, a PMA passou a apreender imediatamente todos os equipamentos pesados, como caminhões, tratores e escavadeiras, gerando um prejuízo enorme aos criminosos. Anteriormente, o infrator ficava como depositário fiel do equipamento, mas obviamente voltava a usá-lo para cometer crimes, mas isso mudou. Temos cerca de 300 máquinas e veículos apreendidos à disposição da justiça. Isso surtiu um efeito didático espetacular, os donos dessas máquinas pararam de alugá-las para atividades ilegais. O crime deixou de compensar por ter ficado caro e inviável economicamente.

Novo uniforms de camuflagem verde digital de selva da Polícia Militar Ambiental
foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
Novo uniforms de camuflagem verde digital de selva da Polícia Militar Ambiental

O segundo exemplo foi a implantação de novas tecnologias e equipamentos, como o uso de drones e de veículos aéreos não tripulados, para patrulhar grandes áreas de difícil acesso de forma muito rápida e eficiente, a aquisição de novas lanchas Policiais blindadas e de veículos terrestres 4x4 todo terreno.

O terceiro são os novos uniformes camuflados, que além de darem personalidade e identidade para uma Tropa especializada, como é a Polícia Ambiental, também agem como equipamento de proteção, tanto para o Policial como para o infrator, na medida em que o PM pode executar uma aproximação furtiva, numa cena de crime em andamento, reduzindo a chance de reação dos criminosos e o possível confronto armado.

Você pode detalhar melhor os equipamentos que a Ambiental adquiriu?

Nós atuamos no Estado de São Paulo inteiro, normalmente em áreas rurais de difícil acesso. Temos um moderno helicóptero que, além de coordenar e apoiar às operações de terra e água, leva uma tripulação armada pronta para intervir em caso de necessidade. A visão dessa aeronave é um forte desestímulo aos infratores que pensam em enfrentar nossos Policiais em terra.

Possuímos drones que fazem a fiscalização ambiental de rotina com extrema eficiência e rapidez, com custo muito baixo. Recentemente iniciamos os testes com um Veículo Aéreo Não Tripulados (VANT), uma aeronave de porte muito maior que um drone, permitindo a fiscalização furtiva de longa distância em áreas muito grandes e remotas. Sua velocidade de cruzeiro é de 400 km/h, voa a 3 quilômetros de altura e possui autonomia de 40 horas. Usando moderníssimos sistemas de navegação, de visão térmica e noturna, e em três dimensões, o VANT executa missões que demorariam meses para serem feitas por uma equipe de PMs.

Para operações em água conseguimos, por meio de uma parceria com o Ministério Público Federal, uma verba de R$10 milhões para comprar cerca de sete embarcações desenhadas e construídas com especificações para uso Policial, incluído blindagem, com objetivo de melhorar a qualidade e a segurança da fiscalização preventiva ambiental, e também intervir nos crimes em andamento.

Lancha da Polícia Militar Ambiental fazendo abordagem de rotina em barco pesqueiro
foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
Lancha da Polícia Militar Ambiental fazendo abordagem de rotina em barco pesqueiro

Já no patrulhamento de terra, incorporamos à nossa frota modernas viaturas 4x4 e motocicletas de uso misto para asfalto e terra. Estamos testando novas veículos desenhados especificamente para terrenos acidentados, com fortes aclives e declives, e que encarem bem a terra, areia, lama e água.

Ainda no tema de machucar o bolso do infrator, recentemente a PMA apreendeu máquinas pesadas de uma prefeitura bastante importante.

Sim, a  prefeitura de Ilhabela decidiu fazer uma estrada em área de proteção ambiental e iniciou as obras. Assim que confirmamos essa atividade ilegal, interditamos o local, multas pesados foram aplicadas e todos equipamentos apreendidos. A lei vale para todos, a Polícia Militar é um órgão subordinado ao Estado, e não à partidos políticos, ou interesses particulares. Nosso objetivo é servir à sociedade, cuidar do povo paulista e do seu património, sempre dentro dos estritos limites da lei. Fazemos isso diariamente.

O helicóptero da Polícia Militar Ambiental é usado para apoiar os Policiais em terra e patrulhar áreas de difícil acesso
foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
O helicóptero da Polícia Militar Ambiental é usado para apoiar os Policiais em terra e patrulhar áreas de difícil acesso

Qual a relação da PMA com o agronegócio?

Quando assumi esse comando, havia um afastamento mútuo entre a PMA e o agronegócio. Havia uma percepção dos produtores de excesso de rigor da Policia, e do outro lado, uma dose de desconfiança da Ambiental de que os produtores rurais eram infratores permanentes. O que faltava era aproximação e esclarecimento. Decidi mudar essa situação e promover encontros para conhecer melhor a realidade dos proprietários de sítios e fazendas e mostrar que nosso papel não é de apenas emitir multas e sim de orientar e garantir o trabalho, dentro dos preceitos da preservação do meio ambiente. Os resultados práticos dessas reuniões geraram um clima positivo de confiança.

Viaturas da Policia Militar Ambiental vistoriando o agronegócio
foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
Viaturas da Policia Militar Ambiental vistoriando o agronegócio

Que tipo de resultados?

Quando um incêndio ocorria num canavial de um produtor de álcool ou açúcar, havia situações em que uma multa pesada era aplicada ao proprietário, sem a análise do contexto de como aquele incêndio aconteceu. Após esses encontros de reconciliação, desenvolvemos em conjunto com os produtores rurais, uma tabela com redutores no valor das multas, que podem chegar até a 100% de isenção. Antes de aplicar a multa, a Polícia Ambiental analisa os cuidados e a infraestrutura que o proprietário possui para combater o fogo, como por exemplo a existência de uma brigada de incêndio, equipamentos adequados de combate ao fogo, a implantação de aceiros (perímetros desmatados no entorno da plantação para impedir que o fogo se propague). O redutor do valor da multa é aplicado em função desses e outros cuidados anti-incêndio implantados.

Ainda no tema de incêndios, A PMA também se envolve com a soltura de balões juninos?

Sim. Fabricar, vender, transportar e soltar balões é considerado um crime ambiental grave pelo seu enorme poder ofensivo contra o meio ambiente. As mechas dos balões são desenhadas para não apagar e por isso a probabilidade do incêndio é altíssima. Além disso, existe o enorme risco que os balões representam para aeronaves. Já apreendemos um balão com 50 metros de altura, cuja mecha era um botijão de gás, um verdadeiro instrumento de morte, que derrubaria qualquer aeronave de grande porte.

Policiais da Ambiental verificando se a madeira cortada é certificada
foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
Policiais da Ambiental verificando se a madeira cortada é certificada

Decidi Intensificar as operações contra os baloeiros, após tomar conhecimento de uma carta aberta, publicada em 2017, pela Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil (ABRAPAC), que alertava para a situação critica de perigo iminente que os balões representam para as aeronaves em procedimento de pouso ou decolagem.

O foco que demos nas nossos ações de repressão, foi novamente o bolso dos criminosos. Quem fosse flagrado transportando um balão tinha (e ainda tem) seu veículo imediatamente apreendido.

Fizemos um trabalho de inteligência na atividade dos infratores que soltavam balões, e com isso conseguimos chegar no atacado e fechar 24 fábricas, e aí um fato curioso ocorreu.

Nosso monitoramento mostrou que os baloeiros começaram a trocar mensagens dizendo que essa atividade havia passado a ser de alto risco, em função da repressão feita pela PMA. O resultado foi a queda no número de balões soltos. Em 2018 a ABRAPAC voltou a publicar outra carta aberta, novamente com fortes criticas aos órgãos públicos ligados à segurança aérea, com exceção à Polícia Ambiental. Missão cumprida.

Como nasceu a ideia do livro de fotos de arte da Ambiental?

Depois de conhecer a fibra e dedicação dos homens e mulheres da PMA, quis trazer um pouco deste espírito, e das ações desta Tropa, para a população à qual ela serve, sob o formato de fotografias. O resultado do trabalho do Major Ambar, responsável pelas imagens do livro, ficou excepcional, um trabalho artístico que vale a pena ser visto. As fotos trazem, de forma muito precisa, o dia-a-dia e a missão dos Policiais da Ambiental: proteger nossa flora e fauna e dar combate a todas atividades ilegais que agridem nosso meio ambiente.

Qual mensagem você gostaria que esse livro representasse?

O tema deste livro está cada vez mais atual, ele representa a preocupação e a conscientização que nossa sociedade possui em relação ao nosso meio ambiente. Foi essa forte demanda, e intensa cobrança da nossa sociedade, que fez com que nossos recursos naturais voltassem a ser respeitados e preservados. A mensagem que eu gostaria que este livro deixasse é que a Polícia Miliar Ambiental ouve essas demandas da população e que, de forma contínua, incansável e sempre dentro da lei, protege e estimula esse movimento de proteção do nosso patrimônio natural.


Entrevista com Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar, Subcomandante do Regimento de Cavalaria 9 de Julho

Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar, autor das fotografias do livro
foto: Policia Militar Ambiental / DIVULGAÇÃO
Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar, autor das fotografias do livro "Polícia Ambiental"

Seus livros mais recentes foram sobre as unidades do Choque da Polícia Militar, como foi essa mudança radical para o meio ambiente?

Foi surpreendente. Estou há 28 anos na Polícia Militar e conheço bem todas as nossas modalidades de policiamento, mas ao ter a oportunidade de viver a rotina da Polícia Militar Ambiental me dei conta de algumas situações e particularidades extraordinárias desta tropa.

A primeira é a distancia. Por mais que as unidades da PMA estejam bem distribuídas em todo o Estado, e bem equipadas para acessar as áreas rurais de mata, selva e água, esta é uma missão complexa e difícil. Enquanto o policiamento urbano opera dentro de limites geográficos curtos, em locais conhecidos e usa uma quantidade relativamente pequena de equipamentos operacionais, o trabalho dos Policiais Ambientais é o oposto disso.

A segunda coisa que me chamou atenção foi o fator do desconhecido e a diversidade de situações que a PMA enfrenta diariamente. Novamente, em contraste com a modalidade do policiamento urbano, que tende a possuir rotinas e missões parecidas umas com as outras, o Policial Ambiental se depara com situações muito distintas e em ambientes completamente diferentes. Apenas para citar algumas, essas missões vão desde o resgate e cuidados médicos com pássaros presos por pequenos criadouros ilegais, aplicação de multas de desflorestamento e abordagens marítimas para coibir a pesca ilegal, até o confronto com o crime organizado de grande porte ligado ao contrabando e tráfico da nossa flora e fauna, que usa armamentos pesados e restritos. Tudo isso usando equipamentos bem específicos e variados para cada tipo de situação.

foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
"Uma das coisas que me chamou atenção foi o fator do desconhecido e a diversidade de situações que a PMA enfrenta diariamente" - Major Ambar

Outro aspecto inesperado do trabalho da Ambiental é a frequência com que, esses Policiais se deparam com situações de tráfico de drogas, assaltos em andamento e contrabando de mercadorias. Como qualquer Policial Militar, eles possuem o treinamento adequado e o dever legal de intervir imediatamente em todas as situações criminosas, mesmo que não sejam seu foco primário. É impressionante a quantidade de armas e drogas que a Ambiental apreende todo ano

Você chegou a ver situações de agressão a flora?

Infelizmente sim. Vou citar dois exemplo que me chamaram muito a atenção. Existem dezenas de madeireiras operando no Estado, todas precisam ser fiscalizadas, e a maioria opera legalmente, mas existem casos de corte ilegal e contrabando de madeira. A área de devastação é enorme e o tempo de recuperação da natureza é muito grande, uma violência ao meio ambiente de alto impacto. É uma situação triste de se ver.

Outra cena impactante são os lixões ilegais. No livro há algumas fotos de uma área de preservação que, em duas semanas, foi devastada e transformada numa enorme montanha, com mais de 15 metros de altura, de detritos e entulho de construção. Isso é revoltante como cidadão, como fotografo e como Policial.

Policial Militar Ambiental sobre uma verdadeira montanha de mais de 15 metros de entulho depositados ilegalmente. Quinze dias antes, essa era uma área verde
foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
Policial Militar Ambiental sobre uma verdadeira montanha de mais de 15 metros de entulho depositados ilegalmente. Quinze dias antes, essa era uma área verde

E o impacto das agressões na nossa fauna?

É devastador. Fui conhecer o local onde a Polícia Ambiental entrega os animais apreendidos do contrabando e criadouros ilegais. É difícil explicar a quantidade de aves, répteis e mamíferos que são resgatados pela PMA, muitos chegando em estado de saúde precário. Todos os bichos recebem atenção médica e a maioria é devolvida ao seu meio ambiente, mas infelizmente muitos voltam a ser capturados ilegalmente.

É difícil acreditar que há pessoas e organizações criminosas que vivem desta atividade, e pior, que existam consumidores que comprem animais sequestrados do seu habitat para mantê-los presos como souvenires ou até para consumi-los. Com a pesca ilegal a situação para a Ambiental é ainda mais difícil, em função da quantidade de rios, lagos e da extensão da nossa costa.

Como fotografo, o que mais te surpreendeu nessas semanas que você passou colhendo imagens para o livro?

A surpresa veio do sentimento e da dedicação destes nossos Policiais com o meio ambiente. Acompanhei várias ocorrências em que foi possível ver a forma como os homens e mulheres da Ambiental se sensibilizam com a situação dos animais em cativeiro que estavam mal tratados, mal nutridos, amarrados em lugares confinados. É difícil descrever a alegria e satisfação desses PMs em cuidar e libertar um passarinho de uma gaiola ou uma jaguatirica presa numa jaula.

Uma das características peculiares da Policia Militar Ambiental é seu intenso contato com a população rural, no sentido de orientação legal e da educação e cuidados com o meio ambiente
foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
Uma das características peculiares da Policia Militar Ambiental é seu intenso contato com a população rural, no sentido de orientação legal e da educação e cuidados com o meio ambiente

Há algumas fotos no livro que mostram essa interação entre o Policial e o animal resgatado, e que demonstram o sentimento de cuidado, carinho e dedicação dessa Tropa com nossa fauna. Ao mesmo tempo, eu vi a tristeza e a indignação desses mesmos Policiais, ao encontrarem uma área de floresta devastada, o que também reforça a minha percepção da intima ligação que eles possuem com nosso meio ambiente, e o intenso sentimento do dever em cumprir sua missão de defender a natureza. Essa é uma Tropa muito especial, que vive seu trabalho com muita sensibilidade e eficiência. 

Outra ponto alto nesse trabalho, foi acessar lugares incríveis, como florestas fechadas, cachoeiras, mananciais, lagos, rios e regiões costeiras de beleza ímpar. Estar exposto à riqueza da nossa flora e ver tantos animais silvestres no seu habitat foi um privilegio que poucos fotógrafos têm.

Quais as imagens que você mais curtiu em fazer?

A interação dos Policiais com os animais são muito especiais, principalmente com os pequenos pássaros, pela sua vulnerabilidade e delicadeza. É impressionante ver o cuidado extremo que o PM da Ambiental possui ao manipular uma ave para verificar sua anilha, ou desamarrar as delicadas pernas de um pássaro preso.

Uma das atividades da Polícia Militar Ambiental é o combate ao contrabando e venda ilegal de animais silvestres. Nessa foto o PM verifica se os dados da anilha  do pássaro batem com a documentação do criador
foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
Uma das atividades da Polícia Militar Ambiental é o combate ao contrabando e venda ilegal de animais silvestres. Nessa foto o PM verifica se os dados da anilha do pássaro batem com a documentação do criador

O papel usado no livro da Polícia Militar Ambiental  é produzido por empresas responsáveis com o meio ambiente, e o livro possui o selo de certificação do Conselho de Manejo Florestal (FSC).

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