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Em mais um exercício de grande porte, os PMs de ROTA deixam claro que São Paulo está pronta para combater ações criminas de grande porte

Policias de ROTA momentos antes da simulação de roubo a carro-forte iniciar
foto: André Jalonetsky
Policias de ROTA momentos antes da simulação de roubo a carro-forte iniciar

A cena foi tão bizarra que as pessoas andando na calçada ficaram estáticas. Uma picape estaciona no meio da rua, bloqueando a rota do caminhão blindado da transportadora de valores, e de dentro saem quatro indivíduos abrindo fogo com uma metralhadora antiaérea e três fuzis automáticos de combate.

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O carro-forte, escoltado por duas Chevrolet Blazer pretas, freia bruscamente dando um giro de 180 graus para evitar os tiros, mas inesperadamente seus veículos de escolta fecham a rota de fuga do caminhão blindado. Treze homens, portando fuzis e explosivos, desembarcam e transformam o carro-forte no alvo de uma intensa artilharia.

As Blazers, eram parte de uma ação coordenada de uma quadrilha especializada em assaltos a carros-fortes. A quantidade de disparos simultâneos dos 16 fuzis automáticos e da metralhadora antiaérea dos terroristas urbanos é tão grande, que os tiros formam quase que um estrondo contínuo.

Em sentido horário, Note a metralhadora antiaérea na caçamba da Picape. As duas Blazers pretas bloqueiam a rota de fuga do carro-forte. Criminosos transferem o dinheiro roubado para os carros de fuga. PMs de ROTA dominam e prendem os dezesete criminosos
fotos: André Jalonetsky
Em sentido horário, Note a metralhadora antiaérea na caçamba da Picape. As duas Blazers pretas bloqueiam a rota de fuga do carro-forte. Criminosos transferem o dinheiro roubado para os carros de fuga. PMs de ROTA dominam e prendem os dezesete criminosos

Para não serem assassinados, os quatro vigilantes do carro-forte precisam fugir, graças a mais uma das nossas burlescas e patéticas leis. Esses corajosos profissionais são obrigados a defender o património de terceiros, e suas próprias vidas, usando ridículos revólveres calibre .38 de seis tiros e uma escopeta calibre 12.

Enquanto treze criminosos fazem o bloqueio total da rua, outros quatro explodem a porta do carro forte. A ação dos terroristas urbanos funciona como planejado. Só que não. Sem nenhum deles se dar conta, o seu pior pesadelo estava prestes a se materializar numa dura realidade.

PMs de ROTA, fazendo papel de criminosos, explodem a porta do carro-forte, durante treinamento de combate contra assalto a carro-forte
foto: André Jalonetsky
PMs de ROTA, fazendo papel de criminosos, explodem a porta do carro-forte, durante treinamento de combate contra assalto a carro-forte

Silenciosamente, cinco viaturas cinza escuro da Polícia Militar, com um grande “R” branco pintado nas suas portas dianteiras, se aproximam do local. Os vinte e cinco PMs da temida e respeitada ROTA, Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, observam os assaltantes transferindo os malotes de dinheiro para os carros de fuga, avaliam a situação tática, se posicionam e dão voz de prisão aos criminosos.

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Como qualquer bandido que é surpreendido pela Polícia Militar cometendo um crime, esses dezessete profissionais da morte possuem duas opções de reação: se entregar ou reagir. Parte do bando, usando um pouco da inteligência que ainda lhes resta, opta pela primeira. Eles são algemados e colocados na traseira das viaturas de ROTA. O resto do bando comete o erro de abrir fogo contra os Boinas Negras do Batalhão Tobias de Aguiar. Esses também são algemados, mas colocados na traseira de ambulâncias para receber cuidados médicos de emergência.

Em sentido horário: PM do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) prepara o explosivo na porta do carro-forte. Dois PMs de ROTA, um fazendo papel de criminoso, antes do início da simulação. Perto do final do treinamento, um PM de ROTA conduz dois
fotos: André Jalonetsky
Em sentido horário: PM do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) prepara o explosivo na porta do carro-forte. Dois PMs de ROTA, um fazendo papel de criminoso, antes do início da simulação. Perto do final do treinamento, um PM de ROTA conduz dois "bandidos" presos e algemados. Com a área segura, pessoal do resgate socorre os "criminosos".

A ocorrência termina, mas nem as viaturas de ROTA, nem as ambulâncias saem do lugar. Ao invés disso, os criminosos desembarcam, têm suas algemas retiradas e confraternizam com os Policias, com os seguranças do carro-forte e com equipe médica do resgate. Esses “bandidos” eram PMs das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar.

Simulação Pública  x  Treinamento Real

“Essa é a segunda simulação que convidamos o público e a imprensa. A primeira foi uma explosão de caixas eletrônicos realizada na Avenida Paulista, e a terceira está a caminho, todas refletindo situações atuais de agressão à segurança pública. O objetivo é mostrar à população a complexidade e dinâmica dessas ocorrências, e nossa capacidade em enfrentá-las”, diz o Comandante da ROTA, Tenente Coronel PM Ricardo de Mello Araújo.

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Mello Araújo ressalta que essas iniciativas também são uma demonstração de força para enviar um recado claro para a criminalidade: em São Paulo a Polícia Militar está pronta, e que a ROTA é uma Tropa bem treinada, bem equipada e motivada. Ele complementa dizendo que:

“A Policia Militar não deseja nem procura o confronto, mas se os bandidos optarem pelo enfrentamento, vão sair perdendo. Os índices de letalidade dependem do criminoso e não da Polícia. O criminoso que se rende é preso e seus direitos previstos em lei são sempre preservados. Já aquele que abre fogo contra a Polícia, irá sofrer as consequências previstas na mesma lei”.

Final do treinamento, Policial de ROTA protege o perímetro
foto: André Jalonetsky
Final do treinamento, Policial de ROTA protege o perímetro

O treinamento de assalto a carro-forte, montado e coordenado pelo Capitão PM de ROTA Rogério Nery Machado, foi composto por algumas fases. Na simulação apresentada ao público, a atuação dos criminosos foi interpretada com detalheis reais, incluindo o uso de múltiplos carros, perseguição em alta velocidade, explosões, usos de fuzis e disparos de uma metralhadora (usando munição de festim, como em todas as outras armas deste exercício).

Já as ações da ROTA, mostradas para a população, foram simplificadas sem a aplicação do rigor operacional de uma missão real, para não expor ao crime as táticas e estratégias dos Boinas Negras. A etapa do treinamento real aconteceu dias antes em ambiente fechado, sem a presença de civis, onde foram testados vários procedimentos operacionais em múltiplos cenários.

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“São os contínuos programas de treinamentos e técnicas operacionais que habilitam os PMs de ROTA a sempre superar e prevalecer contra o criminoso, mesmo se ele tiver um poder bélico superior. Um Policial de ROTA vale por três ou quatro bandidos. Como qualquer Comandante, sempre quero dar mais treinamento e os melhores equipamentos para meus Policiais”, explica o Comandante Mello Araújo.

Outras Forças Policiais também são incentivadas e convidadas a participar desses treinamentos como observadores. O Subtenente PM de ROTA José Carlos “Pirata” Ferreira explica: “Aproveitamos essas ocasiões para receber várias Forças de Segurança que acompanham os procedimentos operacionais da ROTA, e depois levam esses conhecimentos técnicos para suas bases. Hoje temos Policiais de várias cidades do interior de São Paulo, de outros estados da federação e também representantes das nossas Forças Armadas”.

O Subtenente PM de ROTA José Carlos “Pirata” Ferreira, explica detalhes do treinamento  contra assalto a carro-forte, para integrantes de Forcas de Segurança de outras cidades e estados, incluindo representantes do Exército Brasileiro
foto: André Jalonetsky
O Subtenente PM de ROTA José Carlos “Pirata” Ferreira, explica detalhes do treinamento contra assalto a carro-forte, para integrantes de Forcas de Segurança de outras cidades e estados, incluindo representantes do Exército Brasileiro

Armas do Velho Oeste

Em função de uma legislação fraca e ultrapassada, o crime organizado percebeu que nossos legisladores continuam trabalhando a seu favor, ao lhes dar uma oportunidade incrível de roubar enormes quantidades de dinheiro com baixíssimo risco: assaltando carros-fortes. Enquanto os criminosos usam rifles, metralhadoras, fuzis e explosivos, as empresas de transporte de valores são restritas, por lei, a usar revólveres .38 e escopetas calibre 12, armas da época do velho oeste.

“O criminoso sempre busca o que é mais fácil. Nesse caso, uma grande quantidade de dinheiro transportada sem a segurança adequada. Os funcionários das transportadoras de valores são bem treinados e destemidos, eles poderiam reduzir esse tipo de ocorrência sem a interferência da PM, mas são proibidos de portar equipamentos condizentes com a realidade do crime de hoje. Para os assaltantes não existem leis, eles usam armamento de guerra de altíssimo poder ofensivo, como a metralhadora calibre .50, que perfura facilmente a blindagem de um carro-forte. Duas dezenas de bandidos contra quatro vigilantes, nessas condições, é uma situação desproporcional, fora da realidade e que torna fácil a vida dos fora-da-lei”, continua dizendo o Comandante da ROTA Mello Araújo.

Veja abaixo o vídeo do treinamento, por Erik Florio:

Além de atuar diariamente no patrulhamento ostensivo e em ações de resposta rápida à crimes em andamento, a ROTA desenvolve uma série de operações preventivas contra a criminalidade, tendo como alvo os grandes distribuidores de drogas e a apreensão de armamentos de alto poder ofensivo.

Tipicamente essas missões nascem do trabalho de coleta de informações do Setor de Inteligência da ROTA. São ações planejadas em detalhes e com antecedência e muitas vezes contam com o apoio de outras áreas especializadas da Policia Militar, como o Comandos e Operações Especiais (COE) e o Canil da PM.

Nossa legislação faz sentido?

É justo dar um revólver .38 para um pai de família, e exigir que ele defenda o patrimônio alheio e sua própria vida, sabendo que vai se deparar com dezenas de assassinos armados com fuzis e metralhadoras? Por que os criminosos agem com tanta liberdade e facilidade? Porque é fácil e porque punição é branda.

Policial de ROTA com seu colete tático
foto: André Jalonetsky
Policial de ROTA com seu colete tático

A nossa legislação de segurança pública está errada. Entre as inúmeras idiotices que os legisladores nos brindam, como a infame audiência de custodia, a mal feita progressão de pena e a inacreditável não prisão em primeira instância (para citar apenas algumas), a imposição para vigilantes de carros-fortes usarem apenas revólveres calibre .38 de seis tiros, é um dos destaques do vergonhoso rol de leis absurdas que possuímos.

É possível mudar estas e tantas outras aberrações usando seu título eleitoral. Lembre-se, essas leis foram feitas, e podem ser desfeitas, por políticos eleitos democraticamente. Basta não eleger os mesmos mentirosos, corruptos, ladrões e quebradores de promessas de sempre, que boa parte do problema será resolvido.

Antes de votar, conheça em detalhes quem são os candidatos, no que eles acreditam, o que defendem e o que praticam. A rota do nosso país mudará para melhor.

Autor sempre bem acompanhado, desta vez com seus amigos assaltantes de carro-forte
foto: ROTA / Divulgação
Autor sempre bem acompanhado, desta vez com seus amigos assaltantes de carro-forte


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