Falta de regulação e investimento dificultam uso de IA em startups brasileiras
Ana Beatriz Oliveira*
Falta de regulação e investimento dificultam uso de IA em startups brasileiras

Nesta terça-feira (25), durante a coletiva do Google for Startups, iniciativa que auxilia startups em crescimento, o Google anunciou resultados de um estudo sobre o uso de inteligência artificial generativa em startups brasileiras. O objetivo do estudo, apresentado na sede da empresa em São Paulo (SP), é entender onde o Brasil está posicionado dentro do “fenômeno” de IA, comparado aos principais centros do mundo.

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Os principais resultados da pesquisa, conduzida pela Box1824 em um período em que a própria utilização de IA foi ganhando força, revelaram que o mercado ainda é bastante homogêneo, que a diversidade ainda não penetrou no desenvolvimento de GenAI e que as soluções desenvolvidas são majoritariamente B2B.

Em relação aos desafios, os obstáculos identificados podem ser divididos em alguns blocos, como:

  • Frente de negócios: A GenAI ainda não encontrou uma tração de negócio suficientemente grande para que ela comece a crescer, escalar e chegar a mais pessoas; ainda está em uma fase de experimentação. Ao mesmo tempo, 22% das startups entrevistadas afirmaram que ainda não é possivel quantificar e mensurar os resultados do uso de GenAl.
  • Regulatório: 83% dos entrevistados acreditam na necessidade de uma regulamentação específica para a GenAI. Além disso, segundo a pesquisa, 84% dos empreendedores acreditam que a regulamentação deve ser ligada a uma instituição privada, enquanto outros acreditam que deve ser ligada a um projeto de lei ou até mesmo à própria IA, se “autorregulando”.
  • Prontidão da sociedade: é a preocupação com o uso responsável. O Google usa a expressão “ousado e responsável”, uma visão presente também para os empreendedores, principalmente em relação ao uso e ao trabalho, pensando que a IA possa ter impacto na execução de determinadas tarefas.
  • Letramento: o tema de qualificação e formação de talentos é central para o desenvolvimento de IA generativa no Brasil, dentro da visão das startups . Para 59% dos entrevistados, a educação e conscientização do mercado sobre o que é GenAl e como utilizá-la de maneira responsável pode ajudar no desenvolvimento da tecnologia. Já 37% acreditam que uma evolução no ensino básico para desenvolver raciocínio lógico dos brasileiros é fundamental.

“Temos o objetivo de promover uma IA que seja ética e promissora. Por isso. precisamos criar pontes, não só focar na regulação, mas também no incentivo e fomento da IA em geral”, afirmou Rodrigo Scotti, Presidente da Associação Brasileira de Inteligência Artificial.

Adoção da IA generativa

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Os tipos de adoção da IA generativa mudam muito, sendo mais direcionadas para a criação de fontes de dados e recomendações para atividades.

“Ainda não há um plano perfeito de como essa tecnologia vai ser incorporada, e como as startups vão utilizar de maneira mais estratégica a IA generativa”, explicou André Barrence, Diretor do Google for Startups para a América Latina.

Porém, encontrar essas métricas, seja para desafios internos ou para incorporar em produtos, é um ponto muito importante para uma ampla adoção. A curadoria e a orientação também são muito importantes para ajudar as startups a navegarem melhor.

A falta de capital ficou muito mais evidente nessa pesquisa. Existe uma grande necessidade de investimentos, tanto privados quanto públicos, para o desenvolvimento de IA e para gerar mais inovação no Brasil. Entre as startups entrevistadas, 25% disseram não ter orçamento específico para este fim. Segundo Barrence, a grande percepção é de que são necessários maiores prazos e paciência para que os produtos possam se provar e retornar capital.

Apesar disso, 56% dos brasileiros estão otimistas com o uso de IA e confiam na proteção de dados. Além disso, 41% acreditam no aumento da produtividade no trabalho.

“O entendimento da necessidade de proteção agora é uma realidade, como os empreendedores farão essa jornada responsável fará toda a diferença. Fator fundamental para a atração de investimentos”, destacou o diretor.

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Paulo Tenório, CEO da Trakto, empresa especializada em IA generativa e parceira do Google, também participou da coletiva, falando sobre o impacto da GenAI.

“O primeiro resultado do uso de IA talvez não seja tão bom. O prompt é um primeiro passo para o ser humano começar a se acostumar, mas não vai substituir. A página em branco é um grande desafio. Quando baseamos todo o nosso projeto em um prompt , estamos subestimando a capacidade do ser humano. Minha sugestão é ensinar. A educação em IA tem que se basear em um bom português e em saber trabalhar em equipe”, ressaltou.

O estudo do Google for Startups revela um panorama desafiador e promissor. Com investimentos adequados e compromisso com a ética e responsabilidade, o uso de IA generativa nas startups se posiciona em um cenário de grandes oportunidades, impulsionando o seu crescimento e o desenvolvimento da inovação brasileira.

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