Um grupo hacker
conhecido com Darkside
divulgou ter doado 10 mil dólares (R$ 56 mil) para duas instituições de caridade. O dinheiro veio a partir de extorções de empresas.
Os hackers divulgaram a doação pela dark web (parte da deep web com enorme dificuldade de rastreio, muitas vezes utilizada para atividades criminais). O Darkside afirmou que eles apenas atacam grandes corporações, usando um tipo de hack que torna as empresas "reféns" até que paguem o que é solicitado.
Uma das instituições que foram ajudadas, a Children Internationa l, que assiste crianças carentes ao redor do mundo, anunicou que não ficará com o dinheiro.
"Achamos que é justo que parte do dinheiro que as empresas pagaram vá para a caridade. Por pior que você ache que nosso trabalho é, temos o prazer de saber que ajudamos a mudar a vida de alguém. Hoje enviamos as primeiras doações", disseram os hackers.
Para a BBC, o analista de ameaças da empresa de segurança cibernética Emsisoft, Brett Calow se mostrou surpreso com ação dos cyber criminosos:
"O que os criminosos esperam alcançar fazendo essas doações não está nada claro. Talvez ajude a amenizar a culpa deles? Ou talvez por razões egoístas eles querem ser vistos como Robin Hood, em vez de vigaristas sem consciência". Que completou: "Quaisquer que sejam suas motivações, certamente é algo muito incomum e é, até onde eu sei, a primeira vez que um grupo de ransomware doou uma parte de seus lucros para instituições de caridade."
Ainda segundo especialistas, a facilidade em se fazer doações via bitcoins, como no caso dos hackers, expõe problemas dessa criptomoeda, que não cria métodos de identificação de usuários.
"Se você entra em uma instituição de caridade com uma máscara anônima e doa 10 mil libras em dinheiro e depois pede um recibo, provavelmente algumas perguntas precisam ser feitas", afirma Philip Gradwell, pesquisador de criptomoedas.
Além disso alerta para outro crime fiscal:
"Ao permitir doações anônimas de fontes potencialmente ilícitas, aumenta o perigo de lavagem de dinheiro."