
Um inseto que pode chegar a dimensões equivalentes a um rato e é considerado o mais pesado do mundo esteve à beira da extinção na Nova Zelândia. O wētāpunga teve uma melhora no estado de preservação da espécie após 15 anos de um programa de conservação
em cativeiro que conseguiu criar e soltar 11 mil insetos de volta à natureza, em áreas protegidas do país.
O resultado foi obtido por meio de uma pesquisa, divulgada pelo departamento de Conservação da Nova Zelândia. Conforme as informações, classificação da espécie passou de “ameaçada em nível nacional” para “ameaçada em nível nacional, com população em crescimento”.
Ou seja, o animal segue sob pressão, mas os trabalhos resultaram em sinais concretos de recuperação.
Gigante de poucos centímetros
Apesar da característica principal do wētāpunga (Deinacrida heteracantha) ser o tamanho enorme que tem para um inseto, uma fêmea da espécie tem cerca de 10 centímetros e pesa até 35 gramas. As pernas chegam a 20 centímetros de envergadura.
Nativo da Nova Zelândia, a espécie tem parentesco com gafanhotos e grilos, em um subgrupo de “wetas” gigantes . Ele é inofensivo para seres humanos, tem hábitos noturnos e costuma se esconder em vegetações, já que suas cores ornam com madeira.
De acordo com o Departamento de Conservação neozelandês, a destruição de florestas e a chegada de predadores, como ratos e arminhos, contribuíram para o desaparecimento das populações em praticamente toda a sua distribuição original, sobretudo na década de 1990.
A sobrevivência se restringiu à Little Barrier Island, uma ilha protegida próxima a Auckland, maior cidade da ilha do Norte do país. A situação era grave demais para que profissionais tentassem reintroduzir os gafanhotos de volta a outras regiões do país.
Com isso, a alternativa foi a recriação em cativeiro, até que estivessem aptos para retornar à natureza, desde que a população alcançasse número suficiente para isso.
As operações começaram em 2012 e, segundo o departamento de Conservação da Nova Zelândia o programa viabilizou 45 operações de transferência dos 11 mil wētāpungas a dez novos locais na natureza.
Curiosidades sobre o wētāpunga
O Departamento de Conservação da Nova Zelândia divulgou a seguinte lista de aspectos únicos da espécie, que classificou como “fatos incríveis”. Leia abaixo:
- As fêmeas adultas são mais pesadas que os machos e podem chegar a 35 gramas, peso superior ao de um pardal-doméstico médio.
- Os wētāpungas atingem a idade adulta em aproximadamente 14 a 24 meses e começam a se reproduzir de um a dois meses após a maturidade.
- As fêmeas depositam ovos durante toda a vida adulta, produzindo geralmente entre 100 e 300 ovos em formato semelhante ao de um charuto.
- Antes da chegada dos mamíferos terrestres à Nova Zelândia, esses insetos desempenhavam um papel ecológico semelhante ao dos roedores, embora tenham comportamento e alimentação bastante diferentes.
- O grupo dos wētās é muito antigo, com uma história evolutiva que remonta a cerca de 190 milhões de anos, sendo mais antigo que o tuatara, um réptil nativo da Nova Zelândia.
- Existem mais de 70 espécies endêmicas de wētās na Nova Zelândia, incluindo 11 espécies de wētās gigantes. O wētāpunga é o maior deles.
- Esses insetos se alimentam de folhas frescas e preferem plantas nativas com folhas grandes, como karaka, karamu, māmāngi, māhoe e kohekohe.
- Antes de chegar à fase adulta, o wētāpunga passa por 11 estágios de desenvolvimento chamados ínstares. Durante esse processo, troca seu revestimento externo rígido, conhecido como exoesqueleto, por meio da muda.
- A troca do exoesqueleto é necessária para que o inseto cresça.
- O desenvolvimento até a fase adulta pode levar até dois anos.