
Ao menos 19 pessoas morreram vítimas de ataques de ursos-pardos na região do Extremo Norte da Sibéria e no Extremo Oriente da Rússia, após um aumento no número de avistamentos desde abril.
Segundo Daria, moradora da aldeia de Motygino, Krasnoyarsk, os animais circulam pela região e não demonstram nenhum tipo de medo das pessoas.
O balanço, divulgado nesta quinta-feira (24) pelo The Moscow Times, constatou que a maior parte dos ataques fatais ocorre em Krasnoyarsk . Os casos acontecem durante atividades do dia a dia, como colheita de frutas silvestres, pastoreio de gado, acampamentos e pesca.
O problema divide opiniões. Para o Ministério de Recursos Naturais e Meio Ambiente da Rússia, apesar das interações entre moradores e animais serem frequentes, 30 ataques por ano estão dentro da média considerada normal.
No entanto, na visão de um especialista independente em conservação e estudo do urso-pardo, as circunstâncias são "catastróficas" e o que é noticiado pelos jornais representa somente uma parte dos incidentes.
População de ursos ultrapassa 307 mil
Entre as justificativas dos avistamentos estão as mudanças climáticas. Com invernos mais curtos e amenos, a taxa de sobrevivência dos filhotes cresce, resultando na expansão da população.
Dados do Ministério de Recursos Naturais e Meio Ambiente apontam que a população de ursos-pardos do país multiplicou em 2,37 vezes, passando 130 mil na década de 1990 para aproximadamente 308 mil em 2026.
Quando os ursos-pardos mais jovens migram em busca de comida, eles acabam chegando próximo de regiões habitadas.
Outro fator apontado pelo levantamento é a queda na popularidade da caça. Em um momento em que a caça era mais comum, os ursos mais cautelosos possuíam maior chance de sobreviver, enquanto os mais agressivos eram mortos.