
Em 1990, a Itália fechou a Torre de Pisa ao público pela primeira vez em cerca de 800 anos, depois que a inclinação do monumento passou de 5,5 graus. Nos 11 anos seguintes, 13 especialistas trabalharam para reduzir a inclinação, retirando o solo que ficava sob um dos lados da torre.
O topo da torre ficou cerca de 4,1 metros para fora da área ocupada pela base, enquanto partes do primeiro andar estavam expostas a uma pressão perto do limite que poderia provocar danos à construção.
Uma comissão com 13 especialistas foi criada para corrigir parte da inclinação sem deixar a torre histórica completamente reta. O grupo era liderado pelo engenheiro John Burland, professor de mecânica dos solos do Imperial College London, que contou a história à Scientific American.
Depois de estudar diferentes possibilidades e enfrentar problemas durante alguns testes, a equipe decidiu retirar parte do solo que ficava sob o lado norte da torre, no lado contrário à direção para a qual ela estava inclinada.

O trabalho começou em 1999, quando os engenheiros fizeram 41 furos, separados por cerca de meio metro, sob a parte norte da base. Por esses pontos, pequenas quantidades de solo eram retiradas de cada vez. Com menos solo sustentando aquele lado da base, a construção começou a se acomodar pouco a pouco para o norte, diminuindo sua inclinação.
Cabos de aço foram colocados para aumentar a segurança durante o trabalho. Os especialistas também descobriram que a quantidade de água no solo sob o lado norte aumentava durante as chuvas. Drenos foram instalados para controlar essa água.
Até 2001, o trabalho havia feito o topo da Torre de Pisa recuar pelo menos 44 centímetros, segundo o Ministério da Cultura italiano. A mudança era praticamente impossível de perceber olhando para a torre, mas diminuiu a pressão nas partes da base.
Em junho de 2001, 11 anos depois do fechamento, a Torre de Pisa foi reaberta. Os engenheiros consideraram que ela estava estável e estimaram que permaneceria nessa condição por pelo menos 200 anos, segundo a Scientific American.
Construção da Torre
A Torre de Pisa começou a ser construída em 1173, em uma região de diferentes tipos de solo, incluindo areia e argila. A base da torre tinha apenas três metros de profundidade para sustentar uma construção de aproximadamente 14 mil toneladas.
O solo não era igual embaixo de toda a torre. Havia um pouco mais de areia de um lado e uma camada de argila mais macia do outro. Por causa dessa diferença, a estrutura começou a afundar para o sul antes mesmo de chegar ao terceiro andar.
A construção ficou parada por cerca de um século por causa de guerras. Durante esse período, o peso da torre ajudou a compactar o solo, deixando-o mais firme.
Quando as obras foram retomadas, os responsáveis tentaram compensar a inclinação construindo os andares superiores com um lado um pouco mais alto que o outro. Isso fez com que a torre italiana também ganhasse uma leve curvatura.
A construção continuou se movimentando
Mesmo depois da reabertura, os especialistas continuaram acompanhando a torre por meio de medições. Os registros mostraram que ela continuou se movendo lentamente para o norte durante mais de uma década. Nesse período, a construção ganhou outros quatro centímetros de movimento nessa direção antes de finalmente se estabilizar.
As medições indicaram que a torre segue estável e tem uma inclinação parecida à registrada cerca de dois séculos atrás.