
O governo brasileiro subiu o tom e voltou a classificar como 'injusto' o plano dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas comerciais sobre as importações do país. O posicionamento foi defendido nesta terça-feira (14), em Washington, durante a quinta rodada de reuniões bilaterais sobre o tema.
Na ocasião, a diplomacia brasileira apresentou suas últimas objeções em uma tentativa de reverter a barreira comercial.
O encontro antecede o prazo de 24 horas para que o governo Trump defina a aplicação das taxas.
O que está por trás da investigação dos EUA
A possibilidade de novas tarifas resulta de um processo de Washington baseado na Seção 301, lei americana que pune supostas práticas comerciais desleais. No caso do Brasil, a apuração mira três áreas:
- O avanço do Pix, sob o argumento de que o sistema de pagamentos instantâneos prejudica as bandeiras de cartão de crédito dos EUA;
- O desmatamento ilegal, sob a alegação de que falhas na fiscalização ambiental brasileira beneficiam a exportação de produtos agrícolas;
- A regulação de Big Techs, atendendo a reclamações de gigantes americanas de tecnologia sobre as regras do setor no mercado brasileiro.
Impactos na economia
Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o tarifaço pode atingir 4,2 mil produtos brasileiros, que somam US$ 15 bilhões em exportações para os EUA. Entre os principais itens afetados estão o ferro gusa, molduras de madeira e álcool etílico.
Diante do risco de prejuízo, a CNI, a AmCham (Câmara Americana de Comércio) e a US Chamber of Commerce enviaram um apelo conjunto aos governos de ambos os países para que insistam nas negociações.
Segundo o portal G1, o documento foi direcionado aos ministros brasileiros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), além de autoridades americanas, como Jamieson Greer.
Confira a nota enviada para imprensa sobre o encontro entre representantes do governo brasileiro e americano:
Hoje, no final da tarde, as equipes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC, do Ministério das Relações Exteriores – MRE e da Assessoria Especial do Presidente da República, mantiveram a quinta reunião de alto nível com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, desde 07 de maio, quando os dois Presidentes decidiram estabelecer um grupo de trabalho dedicado ao diálogo comercial. Na reunião de hoje, foi reiterado o caráter injusto da aplicação das recomendações já divulgadas, seja a resultante da Seção 301 específica para o Brasil, de sobretaxas de 25%, seja a de 12,5% (Seção 301 – trabalho forçado) aplicável a outras 59 economias. Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas. Cumprindo a orientação do Presidente Lula, reiterou-se que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado. O prazo para o anúncio da medida e da lista de bens expostos à recomendação terminará amanhã, 15 de julho." NOTA À IMPRENSA – 5ª REUNIÃO COM REPRESENTANTE DE COMÉRCIO DOS ESTADOS UNIDOS