Caso envolvendo bilhete danificado da Mega-Sena pode definir dono de R$ 29 milhões
Reprodução/TV Globo
Caso envolvendo bilhete danificado da Mega-Sena pode definir dono de R$ 29 milhões

Um bilhete danificado da Mega-Sena, premiado em R$ 29 milhões, é o centro de uma disputa judicial entre o proprietário de uma casa lotérica e uma ex-funcionária em Sinop , Mato Grosso. O prêmio corresponde a uma das apostas vencedoras do sorteio realizado em agosto de 2023.

Enquanto o empresário busca o reconhecimento da titularidade do bilhete, a ex-colaboradora e o marido respondem como réus por furto qualificado  em um processo que investiga as circunstâncias do desaparecimento da aposta premiada.

Desdobramentos 

Em reportagem exibida no Fantástico, deste domingo (05) foi  revelado novos detalhes sobre o julgamento que envolve a disputa por um prêmio de R$ 29 milhões da Mega-Sena em Sinop (MT).

O caso teve início em 12 de agosto de 2023, quando um bilhete foi parcialmente danificado durante a impressão em uma casa lotérica.

Segundo a investigação, a operadora de caixa emitiu uma nova aposta com os mesmos números para entregar à cliente, enquanto o comprovante avariado permaneceu no estabelecimento e, posteriormente, tornou-se o centro de uma batalha judicial e criminal.

Bilhete premiado é identificado

As imagens das câmeras de segurança mostram que, às 13h05 de 12 de agosto de 2023, após uma falha na impressão da aposta, a operadora de caixa Clarice Simon guardou o bilhete danificado em um cofre desativado, usado pelos funcionários como armário, antes de encerrar o expediente.

Prêmio segue bloqueado

A Caixa Econômica Federal reteve o pagamento do prêmio e iniciou uma apuração devido às rasuras no bilhete. Em novembro de 2023, três dias antes do fim do prazo para resgate, a Justiça determinou o bloqueio dos R$ 29 milhões após o proprietário da lotérica, Amélio Lenke, registrar uma queixa-crime por furto.

Em setembro de 2025, Clarice Simon e o marido, Cladecir Picoli, tornaram-se réus por furto qualificado. Segundo com  a reportagem, a defesa de Clarice afirma que ela pagou pelo bilhete danificado, alegando que esse era um procedimento comum na lotérica. A versão é corroborada por Vani Porfírio, responsável pela contabilidade da unidade na época.

Pelas regras da Caixa, bilhetes com falhas de impressão e valor inferior a R$ 10 não são ressarcidos, cabendo à lotérica arcar com o prejuízo.

Já a defesa de Amélio Lenke sustenta que as normas operacionai s proíbem a apropriação de qualquer bilhete com defeito de impressão, independentemente do valor da aposta. Esse é um dos principais pontos da disputa judicial.


Julgamento marcado

A Caixa Econômica Federal informou que não comenta processos judiciais em andamento. Em nota, o banco afirmou apenas que segue a legislação vigente e cumpre as determinações do Poder Judiciário sobre a liberação e o pagamento de prêmios.

O Ministério Público de Mato Grosso denunciou Clarice Simon e Cladecir Picoli por furto qualificado com base no inquérito policial. No entanto, a promotoria também manifestou o entendimento de que o prêmio não pertence formalmente nem ao casal, em razão da acusação, nem à empresa proprietária da lotérica .

As audiências de instrução e julgamento que devem definir o destino dos R$ 29 milhões estão previstas para começar em fevereiro de 2027, conforme cronograma do Tribunal de Justiça.

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