
A disputa pela Presidência do Peru segue indefinida três dias após a realização do segundo turno. Com quase 98% das urnas apuradas, o candidato da esquerda, Roberto Sánchez (Juntos pelo Peru), mantém uma vantagem mínima sobre a conservadora Keiko Fujimori, (Força Popular).
Em uma eleição marcada pela análise de votos contestados e pela realização de recontagens, que estão sendo consideradas excepcionais pela Justiça Eleitoral peruana.
Na noite desta quarta-feira (10), Sánchez aparecia com 50,019% dos votos válidos, contra 49,981% obtidos por Fujimori. A diferença entre os dois candidatos era de pouco mais de 7 mil votos, mantendo a corrida presidencial em aberto.
Enquanto isso, mais de 1.500 atas eleitorais contestadas permanecem fora da contagem oficial e estão sendo analisadas pelos Tribunais Eleitorais Especiais (JEE). Pelo menos 37 processos já foram encaminhados para recontagem, procedimento que permitirá um novo exame das cédulas em audiências públicas que começam nesta quinta-feira (11).
Importância da recontagem
Segundo informações do jornal El Comercio, a recontagem é considerada uma "medida extraordinária" e só é aplicada quando o Júri Eleitoral Especial não consegue corrigir erros materiais ou aritméticos identificados na comparação entre as atas eleitorais e suas cópias de segurança.
O mecanismo permite o acesso excepcional às cédulas originais quando as divergências não podem ser solucionadas por outros meios, evitando que os votos sejam anulados ou excluídos da contagem final.
Audiências começam nesta quinta-feira
A primeira audiência de recontagem está prevista para ocorrer às 9h desta quinta-feira (11), na sede do Tribunal Eleitoral Especial de Bagua. Também já foram agendadas sessões nos JEEs de Lambayeque, na sexta-feira (12), às 10h; de Tambopata, no mesmo dia, às 12h e às 15h; e de Chanchamayo, no sábado (13), com quatro audiências programadas.
Embora a recontagem já tenha sido utilizada em eleições anteriores, este é considerado, na prática, o primeiro segundo turno presidencial peruano em que o procedimento é aplicado.
Votos do exterior ainda estão sendo incorporados
A contagem dos votos também continua sendo impactada pela chegada de material eleitoral proveniente do exterior. De acordo com o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), nem todas as cédulas haviam sido processadas até quarta-feira.
O chefe interino do ONPE, Bernardo Pachas, e o ministro das Relações Exteriores, Carlos Pareja, confirmaram a chegada de todo o material eleitoral vindo de outros países. Mesmo assim, a autoridade eleitoral advertiu que a divulgação do resultado oficial poderá levar vários dias.
Entre os eleitores residentes no exterior, Keiko Fujimori registra ampla vantagem. Com 67,36% das mesas internacionais apuradas, a candidata da Força Popular obtinha 62,46% dos votos, enquanto Roberto Sánchez somava 37,54%.
Eleição permanece indefinida
Realizada no último domingo (7), a eleição presidencial mobilizou cerca de 27,33 milhões de eleitores aptos a votar. O sistema eleitoral peruano utiliza cédulas de papel, fator que torna o processo de revisão e apuração mais demorado em casos de contestação.
Com a diferença entre os candidatos abaixo de um ponto percentual e centenas de atas ainda sob análise, a definição do próximo presidente do Peru permanece em aberto, em uma das disputas mais apertadas da história recente do país.