Mulheres vítimas do financista bilionário Jeffrey Epstein exigiram, nesta quarta-feira (3), que o Congresso dos Estados Unidos aprove uma legislação obrigando a divulgação de todos os registros não confidenciais relacionados ao empresário, morto em 2019 quando estava preso por crimes sexuais.
Entre elas, estava a brasileira Marina Lacerda, que, em sua declaração, pediu aos legisladores e ao Departamento de Justiça que não apenas divulguem todos os arquivos de Epstein, mas que lhe dêem a ela e a outras vítimas cópias não editadas de tudo relacionado a seus casos.
Jeffrey Epstein, que que era próximo de poderosos, entre eles o presidente Donald Trump, se tornou conhecido por sua ligação com uma rede de tráfico sexual de menores.
Preso em julho de 2019, foi encontrado morto na prisão, um mês depois.
“Nunca pensei que me encontraria aqui. A única razão pela qual estou aqui é porque parece que as pessoas que importam neste país finalmente se importam com o que temos a dizer”, disse Lacerda.
A brasileira contou que conheceu Epstein quando tinha 14 ou 15 anos e começou a frequentar a mansão de Epstein, em Nova York, como massagista. Là, ela diz que foi abusada sexualmente por ele.
Trump e os documentos
O caso de Epstein voltou aos holofotes nesta gestão do presidente Trump,
que chama o furor do caso de “farsa” democrata.
As exigências de divulgação dos documentos representam um desafio para o presidente Donald Trump e os líderes republicanos do Congresso que durante anos exigiram mais informações sobre Epstein, um ex-amigo do presidente, mas agora dizem que a divulgação completa pode prejudicar as vítimas de Epstein.
Em maio, a procuradora-geral Pam Bondi disse a Trump que ele foi nomeado várias vezes nos arquivos do governo sobre Epstein.
Trump era amigo de Epstein durante a década de 1990
e voou repetidamente em seu avião particular. Mas Trump negou ter visitado a ilha caribenha privada de Epstein, onde grande parte do abuso supostamente ocorreu.
Em 2024, Trump havia dito a repórteres que estaria aberto a divulgar os arquivos, mas que as exigências de divulgar os registros se tornaram partidárias.
"É realmente uma farsa democrata. Porque eles estão tentando fazer com que as pessoas falem sobre algo que é totalmente irrelevante para o sucesso que tivemos como nação desde que eu sou presidente", disse.
Trump observou que o Comitê de Supervisão e Reforma da Câmara divulgou 33.295 páginas de documentos.
Apoiadores
Mas vários sobreviventes do abuso de Epstein disseram que apoiaram um esforço dos deputados. Thomas Massie, R-Kentucky, e Ro Khanna, D-Califórnia para forçar uma votação na Câmara.
O presidente da Câmara, Mike Johnson, disse que uma votação para forçar o Departamento de Justiça a divulgar mais documentos não é mais necessária depois que um comitê da Câmara tornou públicas 33.295 páginas de registros intimados, em julho.
As vítimas se reuniram também esta semana com membros do Comitê de Supervisão e Reforma da Câmara
para descrever seu abuso, deixando o deputado. Nancy Mace, ela mesma uma sobrevivente de agressão sexual, bastante abalada.