Ataque na escola primária Robb na cidade de Uvalde, no Texas, deixou 21 pessoas mortas, sendo 19 alunos e duas professoras
Reprodução/Rede Globo - 25.05.2022
Ataque na escola primária Robb na cidade de Uvalde, no Texas, deixou 21 pessoas mortas, sendo 19 alunos e duas professoras

Há mais de duas décadas, acompanhar atentados em escolas nos EUA vem se tornando corriqueiro, como se as pessoas não ligassem mais para os massacres e os episódios de horror e tragédia tivessem se tornado um verdadeiro fetiche histórico da população estadunidense. Episódios que acontecem anos após anos e uma política severa de uso de armas nunca parece vigorar, somente quando a tragédia já aconteceu. No Brasil, já foi cogitado a liberação do uso de armas até mesmo em campanhas eleitorais, isso porque a discussão em torno do tema ainda é muito incipiente.

Infelizmente, a Segunda Emenda americana, datada do ano de 1789, expressa o direito de um cidadão portar armas. Então, com base nessa lei, nesta cláusula pétrea que faz parte da Constituição, existe uma indústria muito forte das grandes manufaturadoras de armamentos, das grandes empresas e fabricantes, que fazem um lobby gigante e se concentram na Associação Nacional de Rifles. 

Segundo dados de 2017 do General Social Survey, o país possui cerca de 330 milhões de habitantes, enquanto que a quantidade de armas de fogo presente em seu território é de quase 400 milhões. Levantamento feito pelo Gun Violence Archive mostra que os Estados Unidos tiveram, até maio de 2021, uma média de três ataques a tiros a cada dois dias. Foram 194 registros até o dia 10 de maio.

A atual crise de saúde pública no país trouxe novamente o foco das discussões para o controle de armas, mas para além disso, é preciso entender também outro fator crucial na espinha dorsal dos massacres: o bullying. 

Do massacre de Columbine de 1999 a Suzano, cidade do interior de São Paulo,  em 12 de março de 2019, aos mais recentes nos EUA em Uvalde, Texas e Tulsa, em Oklahoma, o bullying é um problema que tem ligação direta com todas essas tragédias. Todos os assassinos foram vítimas do problema no passado, segundo relatos de familiares e amigos próximos. E é fato que muitas escolas ainda não sabem prestar a assistência necessária  porque ele é, de fato, complexo.

Contudo, desenvolver políticas armamentistas mais severas pode trazer luz para o fim da carnificina no país e servir de modelo para o restante do mundo, como foi o caso da Grã-Bretanha, que já tem uma das legislações mais restritivas em relação à posse de armas desde 1997. O país tem um dos menores índices de homicídios por armas de fogo em todo o globo.

Rodrigo Reis
Divulgação

Rodrigo Reis

Dados do Escritório Nacional de Estatísticas, de 2018, revelam que houve 726 homicídios na Inglaterra e no País de Gales. Desses, a maioria, 285, foram mortes por esfaqueamento, 106 por "socos e pontapés" e apenas 29 por armas de fogo. 

Para além disso, é preciso fortalecer também os métodos de combate ao bullying dentro das escolas, fortificando cada vez mais as discussões que privilegiam temas ligados às causas minoritárias e a diversidade.

Outro ponto importante também é o acesso a profissionais de saúde mental de forma gratuita nas instituições, promovendo uma abertura maior para que os alunos que sofrem bullying possam desabafar sobre as suas angústias e entendam a importância de pôr para fora os seus anseios.

*Rodrigo Reis é diretor executivo do Instituto Global Attitude e especialista em Relações Internacionais, com mais de 12 anos de experiência profissional em organizações internacionais e do terceiro setor, agências da ONU e empresas privadas.

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