Boris Bondarev
Reprodução: Linkedin / Boris Bondarev

Boris Bondarev tem 20 anos de carreira diplomática

O diplomata Boris Bondarev, de 41 anos, chefe da missão russa na ONU (Organização das Nações Unidas), renunciou na manhã desta segunda-feira (23) por meio de uma carta aberta com críticas ferrenhas ao governo do presidente Vladimir Putin. No documento, ele afirma, entre outras coisas, que, em 20 anos de carreira diplomática, nunca sentiu tanta vergonha de seu país.

"A guerra agressiva desencadeada por Putin contra a Ucrânia, e contra todo o mundo ocidental, não é apenas um crime contra o povo ucraniano, mas também, talvez, o crime mais grave contra o povo da Rússia", escreveu.

"Aqueles que conceberam esta guerra querem apenas uma coisa: permanecer no poder para sempre. (...) Para conseguir isso, eles estão dispostos a sacrificar quantas vidas forem necessárias. Milhares de russos e ucranianos já morreram por isso", completou.

Bondarev também fez duras críticas ao Ministério das Relações Exteriores, que, segundo ele, atualmente "não tem nada a ver com diplomacia". "É tudo sobre belicismo, mentiras e ódio", escreveu. "Serve aos interesses de poucos, muito poucos, contribuindo assim para um maior isolamento e degradação do meu país."

Bondarev é o primeiro representante russo de alto nível a criticar a guerra na Ucrânia. Antes dele, em fevereiro deste ano, o ex-coronel das forças armadas soviéticas e russas Leonid Ivashov, também se pronunciou, alertando que o país se tornaria uma "pária internacional".

No documento, intitulado "A Véspera da Guerra", ele critica o que chama de "política criminosa" de Putin de "provocar uma guerra", em um momento em que o país não enfrentava nenhuma "ameaça crítica". A carta foi escrita no início de fevereiro, poucas semanas antes da invasão russa na Ucrânia.

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