A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki
Reprodução/redes sociais
A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki

Na noite de ontem, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que o "Brasil parece estar do lado oposto à comunidade global" no que diz respeito à crise entre Rússia e Ucrânia após a visita do presidente Jair Bolsonaro ao presidente russo Vladimir Putin. Na manhã deste sábado (19), o Itamaraty rebateu a acusação e disse que as críticas não são "nem construtivas, nem úteis". 

"Ministério das Relações Exteriores lamenta o teor da declaração da porta-voz da Casa Branca a respeito de pronunciamento do Senhor Presidente da República por ocasião de sua visita à Rússia", diz a nota .

"As posições do Brasil sobre a situação da Ucrânia são claras, públicas e foram transmitidas em repetidas ocasiões às autoridades dos países amigos e manifestadas no âmbito do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU). O Ministério das Relações Exteriores não considera construtivas, nem úteis, portanto, extrapolações semelhantes a respeito da fala do Presidente", finaliza.

Ao ser questionada por um repórter sobre a posição do Brasil, Psaki disse: 

"Não discuti os comentários dele [Bolsonaro] com o presidente, mas o que diria é que a grande maioria da comunidade global está unida na visão compartilhada de que invadir outro país, tentar tomar parte de suas terras e aterrorizar seu povo certamente não se alinha aos valores globais, então acho que o Brasil parece estar do lado oposto ao da comunidade global". 

Nesta sexta, durante uma transmissão ao vivo em redes sociais, Bolsonaro afirmou que a sua viagem à Rússia não teve como objetivo "tomar partido de ninguém".

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"Não foi para tomar partido de ninguém. A nossa missão tinha um objetivo específico. Alguns levaram para lado de que estou apoiando A, B ou C, (disseram) "não devia fazer isso". Teve crítica, bastante", disse Bolsonaro, durante transmissão ao vivo em redes sociais.

O governo americano acusa a Rússia de planejar invadir a Ucrânia, o que Putin nega. Por outro lado, o governo russo mantém exercícios militares na região de fronteira com o território ucraniano, enquanto se contrapõe à possibilidade de incorporação da Ucrânia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), braço armado do Ocidente.

Na quinta-feira, o Departamento de Estado já havia repreendido a manifestação de Bolsonaro de que estava "solidário com a Rússia".

"O momento em que o presidente do Brasil expressa solidariedade à Rússia, que é o mesmo momento em que as forças russas estão se preparando para lançar ataques a cidades ucranianas, não poderia ser pior", disse um porta-voz do Departamento de Estado em nota à imprensa. "Isso prejudica a diplomacia internacional voltada para evitar um desastre estratégico e humanitário, bem como os próprios apelos do Brasil por uma solução pacífica para a crise."

A nota também afirma: "O Brasil, como um país importante, parece ignorar a agressão armada por uma grande potência contra um país vizinho menor, uma postura inconsistente com a ênfase histórica do Brasil na paz e na diplomacia".

Ainda que o governo russo tenha dito que retirou tropas da região, o governo Biden insiste que há risco de invasão. Com isso, eles também criticaram a declaração de Bolsonaro, que, ao lado de Putin, se disse "solidário a todos aqueles países que querem e se empenham pela paz".

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