Assessora foi acusada de encobrir assédios
Jeenah Moon/Getty Images
Assessora foi acusada de encobrir assédios

Melissa DeRosa, assessora-chefe de Andrew Cuomo, governador do estado de Nova York, anunciou no domingo sua renúncia do cargo, horas antes da Comissão de Justiça da Câmara estadual se reunir para debater procedimentos de impeachment contra o democrata. Na última terça, um relatório da Procuradoria do estado concluiu que ele assediou sexualmente 11 mulheres , e até mesmo o  presidente Joe Biden pediu publicamente sua renúncia. 

DeRosa, braço direito e uma das principais estrategistas de Cuomo, afirmou que trabalhar para o povo de Nova York "foi a maior honra" de sua vida e não citou as acusações direcionadas ao chefe:

"Pessoalmente, os últimos dois anos foram emocional e mentalmente difíceis. Sempre serei grata pela oportunidade de ter trabalhado com colegas tão talentosos em nome de nosso estado", ressaltou ela, que ocupava o cargo desde 2017. Antes, havia sido diretora de comunicações e chefe de Gabinete do governador.

DeRosa é citada no relatório da Procuradoria Geral de Nova York como uma das funcionárias que retaliou contra Lindsay Boylan, uma das mulheres que havia falado publicamente sobre o assédio em dezembro. A assessora-chefe teria ajudado a criar um ambiente de trabalho tóxico, orquestrando uma operação para vazar informações confidenciais sobre Boylan, para tentar pôr em xeque sua credibilidade, diz o documento.

O relatório também afirma que DeRosa, cujo nome aparece citado quase 200 vezes em 165 páginas, teria ordenado um de seus subordinados a ligar para uma terceira funcionária do governo que teria declarado apoio a Boylan no Twitter, obter mais informações sobre ela e gravar o telefonema. Teria ainda ainda ajudado a redigir e editar uma carta nunca publicada com o fim de difamar ainda mais Boylan.

De acordo com uma fonte do New York Times, após a divulgação do documento, a assessora-chefe teria concluído que não havia mais jeito de Cuomo se manter no cargo e que não estava mais disposta a defendê-lo publicamente.

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Filha de um importante lobista democrata, DeRosa já havia sido amplamente criticada no início do ano, em meio a alegações de que teria tido papel-chave nos esforços do governo para esconder a real dimensão das mortes por Covid-19 nos asilos do estado. O assunto está sob investigação das autoridades federais e da Câmara Estadual.

Um das mulheres que acusa Cuomo é Brittany Commisso, ex-assistente executiva do governador, que o acusa de ter tocando seus seios no fim do ano passado. Ela falará publicamente sobre o episódio nesta segunda, explicando sua decisão de apresentar queixa criminal contra Cuomo.

"O governador precisa ser responsabilizado", disse Commisso em trechos antecipados pela rede CBS. "O que ele fez comigo foi um crime, ele infringiu a lei", acrescenta.

Cuomo vem resistindo aos diversos pedidos para que renuncie, incluindo o de Biden e da presidente da Câmara, a também democrata Nancy Pelosi. Ele enfrenta um processo de impeachment na Assembleia estadual, na qual a bancada democrata, majoritária, afirmou ter perdido a confiança em sua capacidade de governar.

Segundo o New York Times, a renúncia de DeRosa causou choque em Albany, a capital do estado, de onde Cuomo não sai desde que o relatório foi lançado. O documento, diz o jornal, foi mais prejudicial do que o inicialmente previsto por aqueles na órbita do governador, e ainda não está claro qual será o impacto da saída de LaRosa das estruturas internas do governo.

O relatório trouxe à tona uma alegação até então desconhecida de uma agente da polícia estadual que trabalhou na segurança do governador, acusando-o de tocar em seu estômago e nas suas costas de maneira sugestiva. A advogada de Cuomo, Rita Glavin, disse que ele planeja responder às acusações da mulher "em breve".

O democrata nega ter agido inadequadamente e disse que algumas das mulheres que o acusam de assédio podem ter interpretado mal suas piadas, beijos e abraços. Seus advogados, por sua vez, têm aparecido diante das câmeras com frequência para descrever a investigação da procuradora-geral, Letitia James, como parcial e descuidada.

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