Tunísia, único caso de sucesso da Primavera Árabe, tem Parlamento suspenso
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Tunísia, único caso de sucesso da Primavera Árabe, tem Parlamento suspenso

Berço da Primavera Árabe, a Tunísia mergulhou neste fim de semana em uma crise política que coloca em risco sua ainda jovem democracia.

O presidente Kais Saied destituiu o primeiro-ministro Hichem Mechichi e suspendeu os trabalhos do Parlamento por 30 dias no último domingo (25), na esteira de uma nova jornada de protestos contra o governo por causa da crise econômica e da gestão da pandemia de Covid-19 .

Eleito presidente em 2019, Saied assumiu temporariamente as funções de chefe de governo, se apoiando em um artigo da Constituição que permite o congelamento dos trabalhos do Parlamento em caso de "perigo iminente".

O presidente anunciou que nomeará um novo premiê para ajudá-lo a governar o país e que revogará a imunidade parlamentar dos deputados. Mechichi foi destituído no 64º aniversário de proclamação da República da Tunísia, ocasião em que milhares de cidadãos saíram às ruas para protestar contra a classe dirigente.

Na capital Túnis, a decisão de Saied foi recebida com festa por parte dos manifestantes que protestavam contra o partido islâmico Ennahda, dono da maior bancada no Parlamento, e contra o primeiro-ministro.

O Ennahda, no entanto, acusou o presidente de promover um "golpe" e prometeu "defender a revolução". Já Saied rebateu que "quem fala em golpe de Estado deveria ler a Constituição e voltar para a escola". "Fui paciente e sofri com o povo tunisiano", justificou.

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O presidente ainda diz ter informado previamente o chefe do Parlamento e líder do Ennahda, Rached Ghannouchi, que nega.

Veículos militares cercaram o prédio do Parlamento , e Saied determinou também o fechamento da sede local da emissora catariana Al Jazeera.

Primavera

Saied é apenas o segundo presidente eleito por voto universal na Tunísia, caso único de democracia - ainda que frágil e incipiente - entre os países que protagonizaram a Primavera Árabe .

A onda de revoltas contra o autoritarismo e a pobreza no norte da África e no Oriente Médio começou justamente na Tunísia, em 17 de dezembro de 2010, quando o verdureiro Mohamed Bouazizi ateou fogo no próprio corpo para protestar contra a falta de trabalho e os abusos da polícia.

Desde então, alguns países da Primavera Árabe, como Síria e Iêmen, continuam afundados em guerras, enquanto outros, como o Egito, voltaram a ter governos autoritários.

Apesar de ter iniciado um percurso democrático, a Tunísia conviveu na última década com uma perene instabilidade política , que sempre bloqueou esforços para relançar a economia e fazer as reformas pedidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

A fragmentada classe política jamais foi capaz de formar governos duradouros e eficazes, culminando na ruptura entre Saied e Mechichi. 

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