Alexander Lukashenko governa Belarus desde 1994
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Alexander Lukashenko governa Belarus desde 1994



A ditadura belarussa realizou uma manobra cinematográfica para desviar um avião neste domingo (23). A aeronave, da empresa Ryanair , ia da Grécia para a Lituânia, e teve que parar no aeroporto de Minsk , capital de Belarus . Na operação, foi utilizada uma suspeita falsa de explosivo a bordo e o avião foi escoltado por um caça.

De acordo com opositores ao governo, a manobra foi feita para prender o jornalista Roman Protasevich , de 26 anos, um dos críticos ao ditador Alexander Lukashenko , que teria ordenado o desvio.

Jornalistas afirmam que Protasevich foi preso em Minsk. A informação chegou a ser confirmada pelo próprio Ministério do Interior belarusso em um canal oficial, mas a publicação foi deletada.

De acordo com a agência de notícias Belta, o próprio ditador ordenou pessoalmente que um caça escoltasse o voo comercial até o aeroporto. "O presidente deu uma ordem inequívoca para fazer o avião dar meia-volta e pousar", afirma a agência.

A Ryanair afirmou, em nota à imprensa, que sua tripulação foi avisada pelo controle de tráfego aéreo da Belarus de uma "ameaça potencial à segurança a bordo" e, por isso, desviou o voo e pousou em Minsk. Após pousar, o avião passou por vistoria, na qual nada suspeito foi encontrado, e levantou voo novamente após cinco horas.

De acordo com a imprensa internacional, passageiros relataram que o jornalista foi levado para fora do avião e teve seus pertences jogados na pista. Relatos dizem, ainda, que Protasevich ficou em pânico quando percebeu que seria detido e afirmou que enfrentaria pena de morte .

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Amigos do jornalista relataram que, na manhã deste domingo, ele havia enviado mensagens dizendo que um estranho tentou fotografar seus documentos na fila de embarque para o voo. De acordo com testemunhas, quando o avião entrou no espaço aéreo belarusso, agentes da polícia secreta KGB pressionaram o desvio da rota.

Segundo a mídia belarussa, Protasevich é acusado de liderar desordem em massa, perturbação da ordem social e incitação ao ódio. Os supostos crimes podem levar a penas de até 15 anos de prisão.

Líderes repudiam ação

O jornalista é cofundador de um dos principais veículos de imprensa do país, o Nexta. O canal informativo foi banido pela ditadura em outubro passado, e alguns de seus membros entraram para uma lista de terroristas da KGB. Depois de sofrer ameaças, Protasevich saiu de Belarus e vivia na Lituânia.

Alemanha e França condenaram o desvio do voo. O primeiro-ministro da Polônia , Mateusz Morawiecki, disse que esse foi um "ato de terrorismo de Estado sem precedentes". Já Charles Michel, presidente do Conselho Europeu , que reúne 27 líderes, disse que "o incidente não ficará sem consequências".

"Apelo às autoridades da Belarus que libertem imediatamente o passageiro detido e garantam plenamente os seus direitos", declarou. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia , considerou o desvio "inaceitável" e disse que "qualquer violação das regras de transporte aéreo internacional deve ter consequências".

"A aterrissagem forçada de um avião comercial para deter um jornalista é um ato chocante e sem precedentes", declarou Kyriakos Mitsotakis, primeiro-ministro da Grécia .

O Comitê de Proteção aos Jornalistas afirmou estar chocado com a ação, "embora o governo de Alexander Lukashenko venha estrangulando cada vez mais a imprensa na Belarus, detendo, multando e expulsando jornalistas e os condenando a penas de prisão cada vez mais longas".

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