Suu Kyi foi presa em golpe de Estado dado por militares
Reprodução/redes sociais
Suu Kyi foi presa em golpe de Estado dado por militares










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Os militares que deram um golpe de Estado em Myanmar acusaram nesta terça-feira (16) a líder "de facto", Aung San Suu Kyi, de violar a "lei de gestão de catástrofes ambientais", informou seu advogado Khin Maung Zaw.

A Nobel da Paz de 1991 está presa desde o dia 1º de fevereiro, data do golpe militar, ao lado do presidente do país, Win Mynt, que também foi acusado do mesmo "crime". Suu Kyi também foi acusada por violação de lei comercial por importar rádios de comunicação para seus agentes de proteção, em "julgamento" que será realizado nesta quarta-feira (17).

Atualmente, a líder e o presidente estão em prisão domiciliar em Nay Pyi Taw, capital do país. "Estamos mantendo Aung San Suu Kyi e o ex-presidente Win Myint em um local mais seguro. Não é como se eles tivessem sido presos. Eles estão em uma casa", disse o vice-ministro de Informações, o militar Zaw Min Tun.

Há 15 dias vivendo sob um regime militar, os cidadãos do país continuam a se manifestar diariamente em atos que reúnem milhares de pessoas nas principais cidades do país. Os policiais aumentaram a repressão contra os manifestantes, mas eles seguem pedindo a libertação de seus líderes e a retomada da democracia.

Golpe militar - O golpe de estado dado pelos militares em 1º de fevereiro foi justificado como uma tentativa de evitar uma "fraude eleitoral" ocorrida nas eleições gerais de 8 de dezembro - crime que eles nunca comprovaram com qualquer tipo de prova.

Naquele dia, os parlamentares eleitos deveriam ter tomado posse e, certamente, renomeariam o atual governo. Isso porque, o partido de Suu Kyi, o Liga Nacional para a Democracia (NLD), teve uma vitória avassaladora, com cerca de 70% dos votos.

A líder, que não pode ser presidente porque teve filhos com um homem estrangeiro, é de longe a figura política mais admirada pelos moradores, mesmo que internacionalmente a sua imagem tenha sido abalada por conta da perseguição contra a minoria rohingya.

Por causa do temor de perder ainda mais sua influência sobre a vida civil, os militares deram um golpe. As Forças Armadas têm direito, por conta de uma lei aprovada ainda no regime militar em 2008, a 1/4 das vagas no Parlamento, mas também apoiavam um dos partidos de oposição a líder do país, que teve um resultado pífio no pleito.

Além disso, ainda eram obrigatoriamente indicados para três ministérios extremamente importantes: Defesa, Assuntos Internos e Relações Exteriores. Mas, isso não foi suficiente para as Forças Armadas. Myanmar passou 25 anos sem eleições livres e o primeiro pleito no país na retomada da democracia ocorreu em 2015.

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