Manuel Merino
O Antagonista
Manuel Merino renunciou no Peru

(ANSA) - O presidente interino do Peru, Manuel Merino, renunciou ao cargo neste domingo (15), após a morte de dois manifestantes durante protestos contra a destituição do mandatário Martín Vizcarra pelo Congresso.

Merino, então chefe do Parlamento, havia assumido a Presidência em 10 de novembro, logo após o impeachment de seu antecessor, e guiaria o país até as eleições gerais de abril do ano que vem.

"Apresento minha renúncia irrevogável ao cargo de presidente da República", declarou, em pronunciamento a nação. Com apenas cinco dias no cargo, o agora ex-presidente interino era pressionado a renunciar pelo mesmo Congresso que o levou ao poder.

Nas horas anteriores à abdicação, diversos ministros do governo provisório já haviam entregado seus cargos por causa da violência contra manifestantes.

Depois da destituição de Vizcarra, milhares de pessoas tomaram as ruas de Lima para protestar contra o Congresso, que já havia tentado aprovar um impeachment em setembro passado. No último sábado (14), a tensão chegou ao auge com a morte de dois manifestantes na repressão praticada pela polícia.

Um dos mortos é Inti Sotelo Camargo, 24 anos, estudante de hotelaria e turismo que faleceu em um pronto-socorro de Lima. O pai da vítima afirmou que o corpo tinha quatro marcas de tiros.

"Merino, essas são as consequências do que você faz. Esses congressistas não têm sangue na cara", disse. O outro morto também era um jovem estudante, Bryan Pintado Sánchez, de 22 anos.

"Lamento profundamente as mortes ocorridas por causa da repressão feita por esse governo ilegal e ilegítimo. Minhas condolências aos familiares desses heróis civis que, exercendo seu direito, saíram em defesa da democracia e em busca de um país melhor", escreveu Vizcarra no Twitter.

O ex-presidente sofreu impeachment em 10 de novembro, graças aos votos de 105 dos 130 deputados peruanos, que alegaram "incapacidade moral" de Vizcarra por supostos subornos recebidos quando ele era governador de Moquegua, em 2011.

O então mandatário, que conta com grande apoio popular, negou ter recebido propina e disse que as acusações não encontram respaldo na Justiça e no Ministério Público. O sucessor de Merino até as eleições de abril será definido pelo Congresso. (ANSA) 

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