Coronavírus: no Rio, voluntários de ONG cavaram 100 covas rasas simbolizando as mortes no país
Brenno Carvalho / Agência O Globo
Coronavírus: no Rio, voluntários de ONG cavaram 100 covas rasas simbolizando as mortes no país

RIO — Alguns países na Europa observam um aumento nos casos registrados da Covid-19 , mas a taxa de mortalidade se mantém mais baixa do que na primeira fase da pandemia. A queda no número de óbitos provocados pelo novo coronavírus pode estar relacionada a uma combinação de fatores, entre eles o maior conhecimento sobre a doença e a maior prevenção entre grupos vulneráveis, informou a epidemiologista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) Maria Van Kerkhove, em coletiva nesta quinta-feira (10).

Ela destaca que, oito meses após o surgimento da doença, já se sabe muito mais sobre como identificar os casos cedo, quais devem ser as intervenções iniciais e como oferecer tratamento clínico dependendo da gravidade.

— Essa ação inicial de checar o nível de oxigênio, oferecer oxigênio quando necessário, admitir no hospital para oferecer tratamento dos sintomas quando necessário, e (o uso da) dexametasona se estiver em estado grave, salva vidas — disse a epidemiologista.

Além disso, Van Kerkhove destaca que atualmente os países estão em melhor posição para prevenir que o vírus infecte grupos vulneráveis à Covid-19, que incluem pessoas idosas e indivíduos com comorbidades. Eles têm maiores chances de apresentar uma forma mais severa da doença e morrer.

Volta às aulas: apenas metade das crianças e jovens brasileiros estão com as vacinas em dia

— Em muitos países, observamos que, quando o vírus chega a asilos, por exemplo, pode ter efeitos devastadores e alta mortalidade. Em muitos locais, isso está sendo prevenido agora — afirma. — É uma combinação de fatores: se identificarmos os casos antes, podemos oferecer tratamento logo. Se pudermos prevenir que o vírus se espalhe entre as populações vulneráveis, isso também salva vidas.

O último aspecto mencionado pela epidemiologista-chefe da OMS é o fato de em muitos países que estão reabrindo a doença começar a ressurgir em algumas áreas, com foco principalmente em lugares em que as pessoas se reúnem, como boates e outros tipos de eventos sociais.

— Esses eventos costumam reunir pessoas jovens. Então vemos uma mudança na idade demográfica dos indivíduos sendo infectados — diz.

Você viu?

Maria Van Kerkhove explica que essa tendência é esperada, pois no início de qualquer pandemia ou epidemia a vigilância costuma focar em pacientes com casos mais severos da doença.

— Quando a capacidade de testagem aumenta, a vigilância expande e começamos a encontrar pessoas mais jovens e sem outras condições de saúde, o que muda a mortalidade — afirma.

Pandemia: primeira infectada por Covid-19 no Rio ainda não recuperou olfato

A epidemiologista destaca, no entanto, que mesmo com uma redução da mortalidade, ainda não se sabe quais são os efeitos a longo prazo do novo coronavírus. Mesmo entre indivíduos que têm a forma mais leve da doença, há relatos de pessoas com efeitos duradouros, ela alerta.

— Precisamos focar em continuar salvando vidas, mas também em prevenir as infecções. E temos ferramentas para fazer isso — defende.

Brasil apresenta queda na média móvel de mortes

Na última quarta-feira (9), o Brasil registrou a média móvel de 679 mortes por Covid-19. Uma queda de 25%, de acordo com os critérios do consórcio de veículos de imprensa. Este é o terceiro dia de queda consecutiva.

Boletim coronavírus: Brasil volta a registrar mais de mil mortes por Covid-19 após uma semana

O país registrou 1.136 mortes pela doença, segundo informações do boletim das 20h. Faz uma semana que o Brasil não contabilizava mais de mil óbitos por dia. Foram registrados também 34.208 novos casos da doença. No total, são 128.653 mortes e 4.199.332 de casos confirmados de coronavírus no país.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários